Karla Rondon Prado: Você sabia?

Para aprender é preciso admitir a falta de conhecimento e ser curioso

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Um amigo que mudou de emprego sintetizou meus pensamentos da semana: “Não pensei que teria tanto a aprender, estou tão mais esperto!” Quando já achamos que sabemos tudo, viramos o ângulo de visão e notamos saber tão pouco. É a diferença entre o leigo e o especialista. Poucas vezes temos a capacidade de ver o quanto nossa ignorância é grande em tantos assuntos, já que somos tão bons em outros.

Para aprender é preciso admitir a falta de conhecimento e ser curioso. Assistir a novos canais, ler livros que antes não despertavam interesse, sair a uma hora do dia que foi seu horário do escritório por décadas. Estar aberto a enxergar e captar novidades é experiência de enorme valor. Como viajar sem sair da cidade. Filtrar as notícias, fazer sua própria edição. Interessar-se por documentários que mostram a vida em todos os continentes. Os melhores programas para se fazer na China, além da Grande Muralha: comer pato laqueado, admirar a beleza da ponte natural mais alta do mundo, cuidar de ursos pandas em extinção e descobrir que precisam de 40kg de bambu por dia para se alimentar e sobreviver. Ver um filme singelo e inteligente, que ressalta a importância de se desenvolver a imaginação, esse poder que a gente usa bem menos do que deveria.

“Eu não sabia que um bebê não nascia fazendo tudo isso!”, espanta-se uma conhecida quando conto que meu filho aprendeu a virar de lado e juntar as mãozinhas. “Seu Nélio vira de lado e ninguém aplaude”, rimos todos, ao notar o neném sendo ovacionado por conseguir rolar. “São avanços dos 3 meses de idade”, explico. Depois de passar por uma crise causada por um pico de crescimento, também conhecida como salto de desenvolvimento, o bebê fica tão mais esperto, como diria o meu amigo. Começa a segurar com mais firmeza os objetos e a tentar coordenar com outras ações, como levar o brinquedo à boca. Conhecimentos naturais, pelos quais passamos batidos, sem observar.

Mudar inesperadamente e ter que se interessar por outros temas é uma mágica da vida. Como desvendar novas culturas. “Ah, se ele mamar por meia hora em um seio só é melhor?” Acredito que sim, ensino. “A primeira parte do leite é como se fosse a água, o soro, que mata a sede do bebê. É rica em oxitocina, espécie de calmante. Por isso a criança relaxa. Passados uns dez minutos, surge a parte do leite com proteínas e gorduras que ajudam a desenvolver o cérebro e a ganhar peso”… “Nossa! Estou impressionada", ela diz. “Como a natureza é sábia!”

Não é?! Viver para aprender. Receita simples do óbvio. Mas é necessário prestar atenção. Um minuto a mais e as claras em neve desandam.

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