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Editorial: Desafios à polícia na ocupação de território

Duas reportagens publicadas hoje no DIA mostram desafios vultosos que se põem diante da polícia

Por bferreira

Rio - Duas reportagens publicadas hoje no DIA mostram desafios vultosos que se põem diante da polícia. Uma elenca as recém-apresentadas medidas para a retomada da Lapa, que vive há semanas uma crescente onda de medo; outra detalha o bunker em que se transformou o Parque União, favela na Maré que resiste às investidas das forças de segurança e se mantém como centro nevrálgico do tráfico. As duas áreas são bem diferentes, mas se assemelham num ponto: são territórios que o Estado perdeu ou pode perder para bandidos e sobretudo para o vício do crack, mal que perpetua a violência.

O que se passa na Maré não é nenhuma novidade. Dezenas de traficantes fartamente armados mantêm o rico negócio da droga e protegem seu chefão. De inédito, nesta história, é o fato de o cabeça do bando nunca ter sido preso. A estratégia inclui assistencialismo para comprar o silêncio dos moradores e a tática do medo. E assim prospera o consumo de crack, cujos dependentes tomam a Avenida Brasil de assalto, espalhando a mancha de criminalidade por bairros inteiros. Esse vácuo do Estado vai de encontro ao que pregam as UPPs. Ainda que seja utópico extirpar o tráfico, não é admissível permitir armas de grosso calibre circulando na favela como se fossem botijões de gás. Ter deixado a Maré chegar a esse ponto foi temerário. Pacificá-la será um grande desafio.

Na Lapa, a situação é outra. Muito se falou neste espaço da ascensão do bairro e nos recentes casos que ameaçam derrubá-lo. Infelizmente, a solução que se anuncia é tardia — chega depois de três mortes brutais e de assaltos reincidentes. Não se entende por que não se adota já, por conta do intenso movimento de fim de ano, mas é preciso dar um voto de confiança. A multidisciplinaridade do programa de ataque é, de longe, o aspecto mais positivo deste ‘Lapa Presente’: policiais militares vão compor equipes com guardas municipais e agentes de Governo, numa abordagem não só de segurança, mas de drama social. Que seja o embrião de bem-sucedido projeto para erradicar o crack no Rio.

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