Por bferreira

Rio - Um novo ano começa. Crianças e adolescentes em férias escolares. Mas esta também é época de procurar uma escola que atenda às necessidades do seu filho. Qual escolher? Eis uma dúvida constante na família. É necessário levar em consideração a inclusão escolar. Falo de inclusão porque 7% da população escolar apresenta algum transtorno de ordem neurológica. O restante dos estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem tem, como causa destas, fatores psicodinâmicos, como problemas familiares, ansiedade, estresse e problemas afetivos.

Os professores e pais devem estar atentos e considerar um transtorno do comportamento: 1) quando houver problemas no rendimento escolar não explicado por fatores intelectuais, sensoriais ou outras incapacidades físicas; 2) quando são observados problemas em estabelecer e manter relações sociais com colegas, professores ou familiares; 3) quando são observadas reações comportamentais ou sentimentos inapropriados diante de situações corriqueiras, ou tristeza e depressão contínuas; e 4) quando há tendência a desenvolver sintomas físicos ou medos associados a problemas comuns. O Diagnostic and Statistic Manual of Mental Disorders classifica mais de 250 condições que podem cursar com distúrbios do comportamento.

A escola e os professores devem reconhecer as primeiras manifestações de condições que afetam o comportamento. Isso permitirá que, quando necessário, esses alunos sejam encaminhados a diferentes profissionais para intervenções precoces que possam modificar o curso da enfermidade. A orientação dos pais a respeito do prognóstico em longo prazo resultará em expectativas mais adequadas em relação às capacidades da criança ou adolescente.

As síndromes mais comuns são transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, autismo, atraso no desenvolvimento global, dislexia, discauculia, disortografia, depressão e transtorno de ansiedade generalizada. Afetam a vida escolar da criança e, por isso, a escola precisa ter uma equipe de professores e profissionais que saibam como lidar na sala de aula com tais situações, visto que é um processo de inclusão, e ele trabalhará dentro da diversidade de alunos que compõe a sala de aula.

Se seu filho se queixar de dificuldades na escola, acredite nele e leve-o ao médico e ao psicopedagogo, para que seja feita uma avaliação adequada. Pois um diagnóstico muito tardio pode prejudicar a vida acadêmica de seu filho: ele pode se achar incapaz de aprender ou ser tachado pelos colegas de apelidos poucos agradáveis. Isso diminui a crença que ele tem nele mesmo e ele pode acabar desistindo dos estudos por se sentir inferior aos colegas.

Respeite o aluno em seu ritmo de aprendizagem; saiba ouvir o que ele tem a dizer, procure um especialista se for necessário e acredite que, apesar de qualquer diagnóstico, cada um pode superar a si mesmo e as suas limitações, de acordo com os seus limites e possibilidades.

Mestre em Cognição e Linguagem

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