Por bferreira

Rio - Nas últimas décadas, registrou-se um crescimento considerável da participação da mulher brasileira em postos-chave da esfera política, com a eleição da primeira presidenta do Brasil. A mesma evolução é registrada no âmbito empresarial e da administração pública, o que demonstra a consolidação da luta pela igualdade de gênero no país.

Há uma sub-representação histórica das mulheres na política nas sociedades ocidentais se comparada à dos homens. No Brasil, ela é permeada de contradições. Embora representem 51,7% do eleitorado brasileiro, as mulheres são apenas 9% da Câmara dos Deputados e 10% do Senado. Isso coloca o país, de acordo com estudo da ONU, no 120º lugar em um ranking da proporção de mulheres nos parlamentos no mundo, o que significa estar atrás de países islâmicos, como Afeganistão, Paquistão, Sudão, Iraque ou Emirados Árabes Unidos, onde a vida das mulheres, como se sabe, não é um mar de rosas.

É verdade que o espaço feminino na política se expandiu, mas não nas proporções esperadas, já que houve crescimento desse eleitorado e a criação de normas que garantiram a participação da mulher. A inédita eleição de Dilma Rousseff, em 2010, arejou a política nacional.

É inegável a contribuição das mulheres na construção da democracia e da cidadania, não apenas pelo fato de elas se constituírem na maior parcela da população brasileira, mas pela possibilidade concreta de agregar a sua experiência, a sua história e a sua sensibilidade à elaboração de leis e à construção de políticas públicas sob a ótica da equidade de gênero e, por isso mesmo, transformadoras das relações sociais.

Como parlamentar, procuro explorar a minha sensibilidade feminina para propor leis que atendam às demandas sociais com maior assertividade, pois é certo que as mulheres têm o olhar e a sutileza que muito representam no trato dessas demandas.

As conquistas no âmbito da democracia representam um processo em permanente construção, e a participação política das mulheres deve se consolidar, nesses espaços, como a grande saída para o enfrentamento dos problemas sociais. Uma sociedade que se pretende justa e fraterna há que referenciar seus valores na busca de espaços garantidos para homens e mulheres, consubstanciando-se na igualdade de direitos como eixo fundamental para a conquista da cidadania plena.

Presidenta da Comissão de Assuntos da Criança, do Adolescente e do Idoso da Alerj

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