Por tamyres.matos

Rio - ‘Little Boy’ de Campos, o pré-candidato Anthony Garotinho (PR) está percorrendo territórios onde se encontra o eleitorado que sustenta seus índices de preferência como candidato ao governo do estado. Detentor de patrimônio eleitoral próprio (16%), acampa na Baixada Fluminense e em São Gonçalo, preparando ataque para entrar na Zona Oeste, que tem 26% da população da cidade do Rio.

‘Little Boy’ foi codinome da bomba atômica jogada em Hiroshima, no Japão (1945), que matou e feriu mais de 100 mil pessoas pela irradiação. Garotinho, diante do microfone embriagando o eleitorado da classe C e D com palavras de fácil convencimento, dispara artilharias contra os inimigos políticos, tentando provocar efeito devastador no território de seus adversários.

Em 1986, nas eleições para o governo do estado, implodiu as pretensões do candidato Cesar Maia no debate da Band. Até hoje, Cesar sente as sequelas da irradiação do ‘Little Boy’, descansando em final de carreira na Câmara dos Vereadores.

Na corrida da sucessão para o governo do estado, escolheu como alvo para ataque o senador Lindbergh Farias (PT), que aparece nas pesquisas com 13% de intenções de voto. No seu blog, diz: “Lindbergh sente que sua candidatura está cada vez mais ameaçada... Terá que se contentar, se quiser, em ser vice de Pezão”. Assim, o pré-candidato, com seu ‘superego’ aguçado, faz plano tático partindo da premissa de que, detonando a candidatura do senador, fica livre no segundo turno para realimentar suas baterias contra o futuro governador Pezão, para tentar nocauteá-lo nos ringues do debate político.

As premissas e as simulações que armazena no seu subconsciente são duvidosas, pois abrem espaços para a presidenta Dilma, junto com os partidos aliados fazerem amplo acordo como o que ocorreu contra Darcy Ribeiro, nas eleições de 1986, quando Moreira Franco (PMDB) teve apoio até do comunista João Amazonas (PC do B).

O ‘Little Boy’ sonha que, indo para o segundo turno contra o Pezão, será capaz de jogar bombas no adversário, que entra no debate final com certa fragilidade em decorrência dos resíduos de impopularidade do Cabral. São ‘obnubilações’ e fazem parte do jogo de quem não enxerga o pacto de classes sociais nas eleições de 2014 contra ele próprio. Segundo Nelson Rodrigues, os jovens também envelhecem, mas o ‘Little Boy’ de Campos continua sendo o Garotinho de sempre. Blefa com bombas fictícias...

Wilson Diniz é economista e analista político

Você pode gostar