Por tamyres.matos

Rio - A resposta de um morador a uma emissora de TV a questionamento sobre os ataques no fim de semana à UPP no Alemão — que vitimou uma policial militar — de que, apesar do infeliz episódio, a situação da comunidade hoje é bem melhor do que no passado, de terror diário imposto pelo tráfico, é emblemática.

Traduz bem o que deve pensar a maioria da população em relação à política de ocupações nas comunidades do Rio pelas forças de segurança, cinco anos depois. Apesar das falhas pontuais e arbitrariedades de agentes que levaram a barbáries, como o desaparecimento do pedreiro Amarildo na Rocinha —capítulo nefasto que jamais deve ser esquecido — num balanço geral, essa receita caseira para o combate à violência para muitos vem se mostrando eficaz.

É inegável que as ocupações melhoraram a vida de milhares de cidadãos e são esperança para outros milhares que ainda vivem sob o jugo do crime organizado. A pacificação nos morros resgatou o direito de ir e vir e a dignidade das pessoas e, a reboque, valorizou patrimônios e trouxe oportunidades de negócio e emprego em ex-redutos do crime antes inexpugnáveis. Os contra-ataques da bandidagem, expulsa de seus domínios, por outro lado, refletem reação de desespero e devem ser repelidos à altura.

O que não pode é o Estado baixar a guarda. Por isso, é muito bem-vindo o anúncio, revelado com exclusividade ontem pelo DIA, de que São Gonçalo e Caxias, castigadas por onda de violência, ganharão UPPs. As novas unidades podem ser entendidas como recado curto e grosso da autoridade pública de que não retrocederá em sua empreitada contra o crime. Ainda bem.

Há falhas a corrigir e desafios a superar, sim. Entre eles, estão o melhor preparo de agentes e o uso de equipamentos de proteção mais adequados contra possíveis ataques como esse último, além de conter fuga de bandidos para outras regiões e implementar a tal invasão social que ainda não aconteceu nas favelas pacificadas. Mas, como já dissemos aqui, se a receita das UPPs é boa, como todo medicamento, há efeitos colaterais que precisam ser combatidos. E já.

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