Editorial: Chance real de dar dignidade à Baía

Rios de dinheiro foram gastos até agora, mas as águas sofrem com a degradação do ecossistema

Por tamyres.matos

Rio - Muitas foram as promessas de despoluir a Baía de Guanabara. Também numerosas foram as decepções advindas do naufrágio de diversos projetos. Aposta-se, agora, numa empreitada emergencial, mas com alto potencial de sucesso: Unidades de Tratamento de Rios. A primeira, a do Irajá, será inaugurada em breve. Mais cinco estão a caminho. Ambientalistas ressaltam que é preciso muito mais para livrar a Baía da sujeira, mas veem a iniciativa com bons olhos. Desde que avance.

Rios de dinheiro foram gastos até agora, mas as águas sofrem com a degradação do ecossistema — vide os golfinhos, outrora inúmeros e assíduos no refúgio, hoje reduzidos a três dúzias. Empréstimos do Japão e do BID, aos olhos da população, não trouxeram muitos benefícios. Agora há um compromisso firmado com o Comitê Olímpico Internacional, com vistas aos Jogos de 2016, cujas provas de iatismo estão programadas para a Baía.

É consenso entre especialistas que os rios são os maiores vilões da Baía. A poluição que diariamente deságua ali provoca uma morte lenta. Ao filtrar o grosso dos dejetos e do lixo despejado nos leitos, permite-se que as potentes marés limpem a Guanabara. Necessário, porém, terminar a instalação das unidades de tratamento fluviais um ano antes do início dos Jogos, para que a natureza tenha tempo de fazer seu trabalho. O cronograma é apertado. Num país afeito a estourar prazos, encontrar alternativas ainda parece seduzir as autoridades, já que cumprir compromissos às vezes é tão custoso.

Mas a população precisa acreditar nesse projeto e cobrar pela total implantação. Mais: deve exigir medidas mais profundas, como investimento em educação ambiental e controle de despejo irregular, porque é contraproducente ficar limpando eternamente o que não deixa de ser sujo. A Baía merece e os cariocas também — mais do que uma prova de iate.

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