Editorial: Imprensa enlutada e democracia ferida

A morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade enluta o país e impõe uma urgente reflexão sobre papéis trocados e ideias sem sentido

Por bferreira

Rio - A morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade enluta o país e impõe uma urgente reflexão sobre papéis trocados e ideias sem sentido. Setores políticos que legitimam ações violentas não raramente abusam do proselitismo para acusar a imprensa de “criminalizar” os protestos ao mostrar a violência e a depredação de radicais. A “criminalização” não estaria exatamente em atitudes como a de levar explosivos às passeatas? Não é esse tipo de ação que passou a afastar os cidadãos do legítimo direito de reivindicar um país melhor?

O morteiro que matou Santiago atinge a sociedade civil organizada, as instituições que defendem os direitos humanos e a memória dos que tombaram na briga por um Estado Democrático que respeitasse a liberdade de imprensa e o direito a manifestações. A morte não pode ser em vão, como pedem a viúva do jornalista, Arlete, e a filha, Vanessa, em desabafos comoventes. Que a tragédia sirva para pôr um ponto final à violência e à irresponsabilidade de grupos que desprezam conceitos básicos de democracia, cidadania e diversidade.

Com a mesma celeridade que chegou à identificação dos facínoras que soltaram o explosivo, espera-se que a polícia aja com todo o rigor para investigar também quem sustenta ou patrocina criminosos eventualmente infiltrados nos atos públicos. São corresponsáveis pela irracionalidade.

O país sofre no embate contra a corrupção, os maus administradores, o sucateamento de serviços públicos de Saúde e Educação. E os protestos pacíficos de rua inauguraram um novo e eficiente canal entre a sociedade e o Estado para combater essas mazelas. Mas, sob nenhuma hipótese, podem ser apropriados por desordeiros. Muito menos por criminosos.

Toda vez que um repórter é assassinado no exercício da profissão, o jornalismo, a liberdade de expressão e a democracia são gravemente feridos. É crime gravíssimo. Infelizmente, mascarados e seus adoradores não o enxergam. Ao contrário: só fazem propagar a ira. É preciso dar um basta a este ódio covarde que não tem compaixão.

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