Por bferreira

Rio - A geração de empregos é um dos componentes de maior importância na política econômica, pois é a partir dela que temos a real percepção do crescimento ou da manutenção da renda que será utilizada em boa parte no consumo. Está ligada diretamente à percepção dos empresários das políticas de incentivos do governo, que, consequentemente, auxiliam no crescimento da economia. Através dessa avaliação, empresários decidem que tipo de investimento farão, sejam eles de adequação ou de ampliação de negócios.

Nesse sentido, as sucessivas taxas de crescimento dos países em desenvolvimento — abaixo do esperado — têm contribuído para a formação de cenário pessimista, o que retarda a decisão de investir.

O governo federal tenta estimular a economia de consumo com políticas de cunho tributário, desonerando alguns setores da economia. Porém, isso impede a definição de investimentos futuros, pois os estímulos podem acabar a qualquer momento. Dados atuais divulgados pelas instituições de pesquisa demonstram que os instrumentos utilizados pelo governo foram ineficazes sob a ótica do aumento da empregabilidade no país.

Nesse cenário sem muitas perspectivas, os números produzidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), relativos a 2013, não surpreendem os agentes da economia. Na realidade, eles confirmam a tendência de queda da geração de emprego no país.

A criação de postos de trabalho no ano passado foi a mais fraca nos últimos dez anos. As vagas com carteira assinada cresceram, mas em um ritmo mais lento, mesmo com os incentivos do governo para aquecer a economia.

Em 2013, por exemplo, foram criados 1.117.000 empregos com carteira assinada; a maior parte deles no setor de serviços. Uma queda de 14% em relação a 2012, quando foram criadas 1.370.000 novas vagas. O recorde do período foi em 2010, com mais de 2.600.000 novas vagas.

O conjunto de informações negativas que está sendo sinalizado pela economia, sem apontar para um horizonte no curto ou no médio prazo de mudança na política econômica, mostra a pouca disposição para as reformas estruturantes, como a tributária e a eleitoral.

Com certeza o futuro do emprego no país é obscuro e tende a manter esse ciclo em baixa. Quem paga essa conta, claro, é a população, que cada vez mais fica sem perspectiva de um futuro com emprego e renda.

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