Por bferreira

Rio - Quando pais descobrem que terão um filho, eles traçam projetos bem tradicionais: com quantos anos a criança vai para a escola, com quantos poderá praticar esportes ou aprender idiomas, que profissões poderá escolher e quando vai se casar, ter uma vida independente e lhes proporcionar netos. Essa é a que parece ser a linha natural da vida, baseada na ideia de desenvolvimento constante e igual entre todos. Mas os indivíduos possuem suas singularidades e podem ter processos de evolução diferentes, como é o caso das crianças com autismo.

A disfunção do desenvolvimento afeta a capacidade de comunicação, de comportamento e de sociabilização. Sem preparo, o diagnóstico pode ser recebido pelos pais como uma bomba. No primeiro momento, pode representar a interrupção de tudo o que planejaram, de seus sonhos. As limitações da criança podem parecer fardos, que fazem o emocional dos responsáveis oscilar entre o medo, a irritação e até a depressão. Muitos terão, ainda, que lutar contra seus próprios preconceitos, opiniões desenvolvidas devido à falta de conhecimento.

Não há do que se envergonhar, esse é um comportamento compreensível para quem tem o primeiro contato com o espectro do autismo; entretanto, precisa ser acompanhado e tratado. Não apenas em nome do bem-estar dos próprios pais, mas também do autista, que tem a família como pilar para o seu desenvolvimento.

Os pais precisam estar equilibrados para buscar as melhores atividades e para estimular a evolução do autista, o que pode ser um grande diferencial no seu futuro. Quanto mais cedo se derem conta disso, maior independência o autista conquistará.

Estima-se que hoje no Brasil existam dois milhões de pessoas com autismo. Familiares que convivem com o transtorno precisam de psicólogos e terapeutas para acompanhar a fase de aceitação e também a rotina do autista. Por falta de apoio, muitos pais se perdem, criando conflitos familiares.

Seja neste 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, ou em qualquer outra data, é importante que abracemos simbolicamente essas famílias, defendendo seus direitos de encontrar amparo em políticas acessíveis a todos. O tratamento transdisciplinar envolve os pais, a escola e os médicos. Não deixe de buscar ajuda ou de orientar quem precisa.

José Carlos Pitangueira é pai de uma autista, médico e diretor-geral do Instituto Priorit

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