Editorial: Perda de tempo, de dinheiro e de prestígio

O Campeonato Estadual que se encerra amanhã entra para a história como o mais decepcionante do futebol carioca

Por bferreira

Rio - O Campeonato Estadual que se encerra amanhã entra para a história como o mais decepcionante do futebol carioca. Triste ironia, pois o fracasso ocorre justo no ano da reestreia do ‘Maracanã Padrão-Fifa’, vendido como garantia de casa cheia e emoção. Nem uma coisa, nem outra: culpa de fórmula ultrapassada, imposta pela televisão, que levou a um extenuante calendário de partidas desinteressantes — a despeito do valor dos ingressos, absurdamente alto.

É sabido que o Novo Maracanã, suas facilidades e seu conforto inflacionaram os preços, hoje controlados pelos próprios clubes. O esquema não podia ser pior. Historicamente com finanças combalidas, os dirigentes cobram valores surreais para tentar conter a sangria nos cofres. Obviamente não conseguiram, pois não há amor clubístico que faça um assalariado bancar essa conta.

Resultado: A média de público da Taça Guanabara foi de 3.170 pessoas. O primeiro jogo da final, entre Vasco e Flamengo — outrora o Clássico dos Milhões —, contou com apenas 26 mil torcedores. Vários foram os confrontos que não botaram nem sequer cinco mil pagantes. E os finalistas amargam públicos irrisórios. O Flamengo, por exemplo, jogou para 450 pessoas contra o Bonsucesso, numa noite chuvosa de quarta-feira, em Volta Redonda. Prejuízo certo. Não à toa, agremiações tradicionais como América, Americano, Olaria e São Cristóvão minguam, e só times pré-fabricados por prefeituras e empresas, sob administrações suspeitas, sobrevivem — a derrotas e estádios vazios.

Mas a federação não está muito preocupada com os rumos do seu campeonato. O Estatuto do Torcedor exige planejamento de dois anos para fazer enxugamentos, e essa cláusula parece ser usada como desculpa para um ‘esquecimento’ e um eterno adiamento. Logo, em 2015, a despeito de possíveis mudanças no regulamento — que podem aumentar ou reduzir a quantidade de jogos ou decidir se vai ter mata-mata ou não —, o Estadual ainda terá a multidão de 16 clubes.

Para que o Campeonato Carioca volte a ter o brilho de décadas atrás e a mover paixões, é preciso empreender mudanças profundas no comando — tanto da federação, quanto nos clubes — para que se chegue a um calendário justo e atraente, com cotas de TV dignas. É vergonhoso rastejar por migalhas num Estadual longo e desprestigiado.

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