Por bferreira

Rio - Nessa onda de escândalos, despertam sérias desconfianças de que até hoje não tenham sido concluídas as investigações dos frequentes rombos nos fundos de pensão de grandes empresas e até mesmo prefeituras. Os fundos supostamente são fiscalizados pela Comissão de Valores Mobiliários, nas aplicações que fazem em papéis de renda fixa ou variável, pela área de previdência complementar do governo federal, pelos tribunais de contas e, evidentemente, pelo Ministério Público e Polícia Federal.

A ousadia das quadrilhas especializadas é estimulada pela impunidade. A mesma que se infiltrou no Previ-Rio — em que o fundo foi salvo do rombo pela pronta ação do prefeito, que destituiu a diretoria e sustou a operação fraudulenta — aplicou antes o mesmo golpe no fundo da Prefeitura de Paulínia, em São Paulo, em caso escabroso e que ficou por isso mesmo. Nenhuma medida para unir estes processos e mais o de Nova Iguaçu, que envolvem os mesmos personagens. A gravidade da impunidade é que o Ministério Público não pode ignorar fatos que são do domínio de todos, publicados nos jornais e presentes na internet, nos sites de busca, quando se procura pelos nomes dos envolvidos ou dos fundos.

O caso de Paulínia, onde a roubalheira custou o mandato do então prefeito — que trocou a direção do fundo para aprovar a operação fraudulenta —, está adormecido há anos. Este daria prisão imediata dos estelionatários envolvidos. O de Nova Iguaçu, igualmente. Agora surge novo caso, envolvendo títulos emitidos por um grupo insolvente da área da Educação, que está com universidades fechadas, prejudicando dezenas de milhares de estudantes, que colocou debêntures nos fundos Postalis, dos Correios, e Petros, da Petrobras. Todos no rumo da prescrição criminal e fiscal.

Mais grave ainda é que os nomes envolvidos nessas operações criminosas são os mesmos que assumiram, de forma não esclarecida, uma tradicional rede de churrascarias do Rio, enfrentando problemas com empregados e fornecedores. E provocando comentários irônicos de que as churrascarias perderam qualidade e público por seus controladores entenderem mais de lavanderias. Numa afronta inacreditável, o grupo, que não tinha como honrar salários dos seus empregados — e, muito possivelmente, é de se supor terem problemas em recolhimento de impostos e contribuições, da Receita Federal, INSS e ICMS —, no Carnaval recebeu em grande estilo em camarote na Marquês de Sapucaí, conforme largamente divulgado em blogs sociais.

É preocupante se verificar neste caso — que, afinal, afeta a aposentadoria de centenas de milhares de brasileiros — que as organizações criminosas são estimuladas em suas práticas pela morosidade, ineficiência, falta de articulação dos agentes encarregados em defender a sociedade deste tipo de fraude.Isso na melhor das hipóteses.

Aristóteles Drummond é jornalista

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