Cláudio Aranha: Baía limpa

A Copa já está aí, mas, com a realização da Olimpíada de 2016 no Rio, torna-se necessário levantar, debater e resolver uma questão que muito preocupa as autoridades: a questão ambiental

Por bferreira

Rio - A Copa já está aí, mas, com a realização da Olimpíada de 2016 no Rio, torna-se necessário levantar, debater e resolver uma questão que muito preocupa as autoridades: a questão ambiental. E a despoluição da Baía de Guanabara é a meta principal do governo, que aposta na inauguração da Unidade de Tratamento (UTR) do Rio Irajá, em julho. Não é apenas o lixo que boia. Toneladas de esgoto continuam sendo levadas para a água. Sem estações de tratamento, a situação não vai ficar melhor.

Os exemplos de Barcelona 1992 (Espanha), Sydney 2000 (Austrália) e Pequim 2008 (China) comprovam: Jogos Olímpicos produzem resultados muito positivos para o país que os patrocinam, principalmente para as cidades-sede. É promessa do governo brasileiro ao Comitê Olímpico Internacional (COI) entregar a Baía 80% saneada para as competições de vela, colocando esse ponto como um dos legados.

E a proposta está nas UTRs, que não se tratam apenas de uma barreira para lixo e esgoto. É um sistema físico-químico, onde há a aplicação de agentes com ação coagulante e floculante, separando a matéria orgânica (sujeira) presente na água. Ao injetar ar em forma de microbolhas, as impurezas subirão para a superfície e se transformarão em lodo. Além disso, ecobarreiras já terão retido lixo flutuante. Outra proposta se baseia em investimentos em habitação, transporte e saneamento básico.

Providências têm que ser tomadas imediatamente. Não podemos correr o risco, por exemplo, de acidentes com atletas devido ao lixo e à poluição da Baía. As UTRs são uma das 12 ações que integram o Plano Guanabara Limpa. Incluem-se a Sena Limpa, que visa a despoluir seis das principais praias do Rio até 2014 — Praia da Bica (na Ilha do Governador), Urca, Leme, Ipanema, Leblon e São Conrado; o Lixão Zero, que busca o fim dos aterros clandestinos no estado, transformando-os em Centrais de Tratamento de Resíduos; ecobarreiras em diversos pontos, e o mais significativo em termos de longo prazo e legado: o Programa de Saneamento Ambiental, que prevê a aplicação de R$ 1,3 bilhão, até 2016, em esgotamento sanitário e saneamento nos 15 municípios do entorno da Baía.

O Brasil tem que aproveitar esses grandes eventos internacionais para recuperar as áreas centrais degradadas das cidades para a população, como foi feito em Barcelona, com a Olimpíada, e em Lisboa, com a Expo. Rever os projetos para concentrar os investimentos nas áreas centrais das cidades é de suma importância.

Cláudio Aranha é consultor ambiental da EcoRecicle

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