Wilson Diniz: Vale tudo na propaganda?

Hoje começa o ‘reality show’ dos candidatos no horário de propaganda eleitoral

Por bferreira

Rio - Hoje começa o ‘reality show’ dos candidatos no horário de propaganda eleitoral. Na tela, técnicas cinematográficas para vender ‘candidatos-sabonete’ e atores interpretando cenas burlescas de teatro de ópera-bufa criadas pelos artistas do marketing político.

Em 1848, no EUA, o palhaço americano Dam Arroz ganhou notoriedade com seus saltos, despertando o interesse do eleitorado. Seu estilo de campanha virou moda na época, e outros políticos passaram a seguir o engraçado animador para conseguir o voto do eleitorado indeciso e descrente dos candidatos com discursos tradicionais.

O modo de se fazer campanha naquela época criou o “efeito bandwagon” (de vagão), quando o eleitor tomava decisão de votar no candidato que apresentava tendência de vitória. Aqui, virou estratégia de campanha, como no caso do palhaço Tiririca, eleito com mais de um milhão de votos.

Políticos na propaganda eleitoral viraram ventríloquos de suas propostas, através da ‘telecracia extravagante’ — técnicas televisivas para vender candidatos sem conteúdo político, clonados em laboratório com sangue sintético e coração mecânico, para ludibriar o eleitorado.

Jânio Quadros marcou sua forma irreverente e contrária de fazer campanha dentro dos conceitos do marketing televisivo. Utilizava a vassourinha da moral e o cabelo despenteado. Nutria fama de beberrão e de homem do povo: entrava nos botequins, comia sanduíche de mortadela e tomava uma pinga, mostrando-se popular. Deu no que deu. Blefou com o Brasil. Renunciou ao cargo de presidente da República e voltou eleito como prefeito de São Paulo, utilizando técnicas semelhantes com jogo de palavras e ataques aos adversários.

Na campanha para o governo do Rio, o senador candidato Marcelo Crivella parte para o ataque afirmando que o ‘irmão’ Garotinho, se eleito, vai propagar a violência. Contra-atacando, Garotinho chama o ‘irmão’ Crivella de “fariseu”, personagem bíblico fanático opositor ao Cristianismo, e ainda de “Rei Saul”, que, segundo historiadores, cometeu três pecados, foi abandonado por Deus e chegou a consultar uma feiticeira. Crivella observa irreverências de Garotinho em estilo do Jânio, quando subiu na garupa de motoqueiro com capacete na Rocinha para dar o troco. Vale tudo no horário de propaganda eleitoral na TV?

Wilson Diniz é economista e analista político

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