Manuel Castro: Ler e pensar

Ao leitor que abrir o livro ‘Convite ao pensar’ e ler o sumário, parecerá ter em mãos um pequeno dicionário de 121 palavras

Por bferreira

Rio - Ao leitor que abrir o livro ‘Convite ao pensar’ e ler o sumário, parecerá ter em mãos um pequeno dicionário de 121 palavras. Não é dicionário, pois não são quaisquer palavras nem se limita a dar suas definições. Os autores querem levar o leitor a pensar e a pensar-se. Elas mais do que significados propõem as questões com que nos defrontamos em nossa vida e sua verdade. Aí está a originalidade do livro. O leitor descobrirá a relação das ideias que temos da vida com as palavras que as dizem.

Levar o leitor a penetrar nessa riqueza é a finalidade deste livro, pois cada palavra diz muito mais do que seus significados habituais. Descobrirá o poder das palavras de formar as chamadas visões de mundo culturais, religiosas e históricas. É delas que se origina o que pensamos da verdade, dos valores da vida, da morte e da liberdade, do bem e do mal, do amor e dos outros etc.

Descobrirá que as palavras envelhecem e se renovam, têm vida própria, nos desvelam a realidade, não se restringem aos significados já dicionarizados, reproduzidos pela língua comunicativa das ideias correntes, cômodas porque feita de lugares-comuns, sendo o inverso do pensar libertador. O livro se propõe a questionar esses lugares-comuns, levando o leitor a pensar. Pensando com elas perderemos a ilusão pela qual julgamos poder dizer e fazer com as palavras o que quisermos. É um falso poder do sujeito, pois apenas reproduzimos o que todos já dizem e repetem. Em verdade são as palavras, pensadas em sua riqueza de sentidos, que nos constroem e nos desvelam o mundo. Para sermos tomados por tais sentidos é necessário que cada leitor as repense e se repense. É esta a proposta deste livro.

Repare o leitor na capa. Muitas árvores crescem do chão e se projetam para o livre aberto do céu. Cada leitor é como uma árvore que, enraizando-se nas palavras-questões de que o livro trata, pode crescer e libertar-se. Educar é libertar e não adequar alguém a padrões prévios. O vocabulário do livro propõe-se a fazer atuar esse educar pelas palavras. É o convite ao pensar. É um livro que procura questionar os significados fixos dos sistemas já prontos, libertando o leitor para o que lhe é próprio e original. Desse modo as 121 palavras não se tornam ideias doutrinadoras de verdades já feitas e prontas, mas convites a pensar a tarefa original e desafiadora de realizar nossa vida com plenitude e felicidade.

Manuel Castro é professor de Ciência da Literatura, na Área de Poética, da Faculdade de Letras da UFRJ

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