Wilson Diniz: Pezão: poste iluminado?

Marqueteiros do governador estão utilizando com maestria as técnicas televisivas que viabilizam candidatos desconhecidos

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - O senador candidato Marcelo Crivella, com declarações bizarras na imprensa, traz à baila fragilidades desconhecidas do eleitorado e fixa-se na faixa média de intenções de voto no teto máximo de 15%, o que inviabiliza sua ida para a disputa do segundo turno das eleições para o governo do Estado do Rio.

Contraditório em suas obnubilações, diz que “Homossexualismo é pecado” e que “se deixar a Baixada na miséria, pessoas migram para roubar na capital”. Com relação às drogas, provocou risos na plateia no debate da Band, ao dizer que a liberação da maconha, “lá na Holanda se tentou isso, mas não deu certo”. Na propaganda eleitoral, se apresenta como candidato ético ancorado na imagem de um general de Exército da Reserva.

Carregando como legado o estigma de ser bispo da cúpula da Igreja Universal, protegido da Rede Record de Televisão, sofreu ataques do líder das pesquisas, o candidato Garotinho (28%), que o chamou de “fariseu” e de “rei Saul”. Com todos estes ‘motes de campanha’ e com o alto índice de rejeição, sua candidatura entra em decantação na reta final do primeiro turno.

Diante de tantas incoerências do candidato Crivella, o governador Pezão surge como forte concorrente para disputar o segundo turno, conforme pesquisa Ibope (18%). Em trajetória ascendente desde que despontou com 4% de intenções, sua candidatura se consolida e torna-se mais conhecida do eleitorado através da propaganda em horário eleitoral de televisão.

Pesquisas qualitativas mostram que o candidato Pezão avança no vácuo deixado pelos erros cometidos pelo adversário e nas faixas dos eleitores que desconhecem suas pretensões e propostas de governo. Nas sondagens quantitativas, os índices de indecisos ainda são bastantes elevados, abrindo flancos para o governador cair na simpatia deste eleitorado pelo ‘método de exclusão’ decorrente dos altos percentuais de rejeição dos outros postulantes.

O cenário é promissor para Pezão. Seus marqueteiros estão utilizando com maestria as técnicas televisivas que viabilizam candidatos desconhecidos sem discursos sofistas em linha populista na arte de convencer o eleitorado. Focam suas técnicas mostrando leis irrevogáveis do marketing político, jogando no subconsciente do eleitor imagens do homem realizador, simples, conversando com o povo e avesso a acusações aos adversários. Unem saga vitoriosa de personagem político vindo do interior do estado com fortes cenas cinematográficas comoventes, mostrando seus pais com rostos enrugados como símbolos de uma vida sofrida. Conscientes de que não estão vendendo um sabonete, estes artistas da propaganda política expõem um candidato com alma humana consequente dos frutos das oportunidades.

Pezão, chegando ao segundo turno, se consagrará como um poste iluminado idealizado pela criação da arte do marketing político na televisão e por ter apresentado propostas alternativas para governar?

Wilson Diniz é economista e analista político

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