Amor e ódio nas redes sociais

Tenho observado com apreensão o uso das redes por algumas pessoas/profissionais

Por bferreira

Rio - Talvez, esta seja a eleição brasileira em que as redes sociais estejam mais ativas, contribuindo para a disseminação de informações e para a livre troca de ideias entre diferentes públicos. Longe, muito longe da censura, das edições e ou dos interesses dos meios de comunicação que filtram a notícia, determinando o que é importante e relevante saber sobre o pleito e seus respectivos candidatos. Um ganho.

Mas tenho observado com apreensão o uso das redes por algumas pessoas/profissionais. As páginas se transformaram em pequenos comitês de divulgação partidária. Até aí tudo bem: o desejo de ver seu candidato vitorioso nas urnas é legítimo. O que não cabe é a desqualificação gratuita que tem sido feita aos candidatos adversários. A quantidade de memes, sem contar o compartilhamento de vídeos e discursos, quase sempre editados, cresce a cada semana.

Sem dúvida, algumas publicações são corretas em seu conteúdo e contribuem para uma maior reflexão do eleitor. Mas muitas vêm carregadas de ofensas, xingamentos e certa dose de amor e ódio velados, que ficam nas entrelinhas. Desculpem, mas não há sequer político/partido, neste país, que não tenha cometido um deslize na vida pública ou que seja 100% livre de questionamentos. Neste sentido, o debate, que poderia ser plural, torna-se vicioso. O debate, que poderia contribuir de fato para um fórum de reflexão, torna-se uma arena de ataques, defesas e disse me disse.

Fico me perguntando: quais publicações fazem sentido? O que é correto? O que merece nossa atenção? O que realmente contribui para a reflexão? Nesta selva eleitoral que se transformaram as redes sociais, fica difícil separar o joio do trigo. É preciso tempo para pesquisar e julgar a fundo todos os conteúdos publicados e compartilhados. Serão verídicos? Estão ali para promover a discussão ou simplesmente para atacar o adversário de forma unilateral, sem análises, contextos e conjecturas? Não estou aqui defendendo nenhum candidato. Muito menos contra as redes sociais. Estou tentando analisar e observar o que vem acontecendo nestes espaços que poderiam ser potencializados mais positivamente.

Creio que seria interessante que os internautas — principalmente os adultos — refletissem sobre suas postagens nas redes. Afinal, suas publicações alcançam de imediato os jovens. Se há uma década somente 35% deles acessavam a web, hoje essa taxa é de 85%. E são nestas redes que a juventude busca informações. Segundo Pesquisa Data Popular, oito em cada dez jovens têm perfil em alguma rede. Acho que anda faltando uma certa dose de responsabilidade, ponderação, criticidade e equilíbrio por parte de alguns adultos nesta campanha eleitoral.

Marcus Tavares é professor e jornalista especializado em Educação e Mídia

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