Júlio Furtado: Em recuperação

Estamos conseguindo fazer nossas crianças aprenderem mais e melhor, mas ainda não alcançamos esse êxito com nossos adolescentes e jovens

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio- Saiu o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira relativo ao ano de 2013, e dá para dizer que os problemas aumentam com a idade. No primeiro segmento do Ensino Fundamental, que engloba as cinco primeiras séries, com algumas exceções, os resultados estão dentro ou acima do esperado, tomando-se como referência as metas para 2020. No segundo segmento (sexto ao nono ano) e no Ensino Médio, ficamos abaixo da nota estabelecida para 2013.

Estamos conseguindo fazer nossas crianças aprenderem mais e melhor, mas ainda não alcançamos esse êxito com nossos adolescentes e jovens. A frequência de conflitos entre professores e alunos no segundo segmento do Fundamental, somada aos índices de reprovação, revela uma escola que não consegue fazer com que adolescentes com idades entre 11 e 15 anos aprendam o mínimo necessário. O principal desafio dos professores é usar, em sala de aula, metodologia que desperte o interesse e a atenção desses alunos. A superação desse desafio passa pela utilização da tecnologia e pela abordagem dos conteúdos através de linguagens e contextos de interesse dos estudantes.

No Ensino Médio, o desafio é maior. Além da questão metodológica e da inserção da tecnologia na sala de aula, esse segmento precisa ser reformulado para atender aos principais interesses dos jovens de 15 a 18 anos, em especial a iniciação para o trabalho. Desde a primeira medição do Ideb, em 2005, a média nacional do Ensino Médio nunca ultrapassou quatro pontos, numa escala até dez. Somemos a isso as elevadas taxas de repetência e de evasão encaradas pelo segmento, que experimentou um aumento nos últimos anos. É preciso reformular o currículo, oferecer formação continuada aos professores com ênfase em métodos didáticos mais efetivos e criar meios de diagnosticar e trabalhar as deficiências dos alunos antes que se tornem irreversíveis e alimentem a reprovação.

De forma geral, estamos em recuperação. Numa escala de zero a dez, o Brasil tirou nota 5,2 do 1º ao 5º ano e 4,2 do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. No Ensino Médio, amargamos a nota 3,7. Nesse contexto, só nos resta comemorar a elevação de alguns décimos e ficarmos atentos, pois numa escola de média seis estaríamos reprovados em todos os segmentos.

?Júlio Furtado  é professor e escritor

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