Editorial: Lisura e liberdades na propaganda eleitoral

Toffoli está certo ao querer punir exageros, tanto nas superproduções e maquiagens marqueteiras, quanto nas grosserias

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Para tentar esfriar as cada vez mais virulentas animosidades nesta reta final da campanha ao Planalto, o ministro Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, baixou pacote de normas. Ele garante não mais tolerar na propaganda no rádio e na televisão o que considera “pirotecnia” e toda sorte de ataques, incluindo recortes de manchetes de jornal e o discurso acusatório. Assegura punir com perda de tempo os partidos que insistirem nessa estratégia.

O nível desta campanha de fato está longe do razoável. Baixezas se multiplicam nos horários eleitorais e se fortalecem nas redes sociais, onde o engajamento quase camicase dos correligionários demole amizades e ergue trincheiras. Propostas, pingam-se homeopaticamente, mais para corroborar a retórica do confronto e menos para debater o modelo de governo mais adequado. O tom se replica nos debates, quando repete-se à exaustão o arsenal de denúncias de cada presidenciável. Sorte que não se pode mais sacudir dossiês nos púlpitos.

Dentro desse prisma, Toffoli está certo ao querer punir exageros, tanto nas superproduções e maquiagens marqueteiras, quanto nas grosserias. O tiroteio incriminatório envenena o país e pouco acrescenta à discussão. Mas ele próprio desliza para a exacerbação ao sugerir o banimento da propaganda negativa. O ministro fala em “embates duros” e corretamente joga o debate para o Parlamento, com vistas a uma nova legislação eleitoral. É um perigo, porém, amputar a campanha, pois a crítica é tão válida quanto um bom programa de governo.

Democracia é algo que se consolida, e para tal se fazem ajustes. O que não pode é confundi-los com medidas retrógradas, como desmerecer o papel da imprensa nos momentos-chave do pleito. Ímpetos dessa monta são capazes de reeditar, ainda que de forma velada, a Lei Falcão — aquela que nivelava por baixo todos os candidatos, apresentados ao eleitorado tão imóveis quanto santinhos impressos e jogados no chão às dezenas.

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