Editorial: Estado não pode retroceder

Varrer favelas é importante, mas centrar a inteligência na movimentação de drogas e armas também é medida a ser considerada

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Não há dúvidas de que o processo de pacificação no estado precisa de ajustes. As sucessivas conquistas da Segurança, com a retomada de territórios antes inexpugnáveis, agora dividem manchetes com a cada vez mais feroz resistência do tráfico. Noticiam-se tiroteios e ataques fatais a policiais, o que recrudesce o clima de medo nas comunidades e no asfalto.

A cúpula da Segurança conclui estudo para estancar essa reação. Como a repórter Vania Cunha detalha hoje no DIA, preveem-se varreduras inteligentes nos locais mais sensíveis, como Rocinha e Alemão, a fim de enfraquecer e prender os criminosos que planejam e executam atentados.

De fato, mapear os pontos vulneráveis das UPPs é passo imprescindível para prosseguir com a pacificação — que, todos sabem, precisa ir além da presença policial. A propalada ‘ocupação social’, como já discutida neste espaço, tem de oferecer educação integral, capacitação e oportunidades de trabalho. Mas, sem o controle total da comunidade, será difícil ter sucesso no curto prazo.

Varrer favelas é importante, mas centrar a inteligência na movimentação de drogas e armas também é medida a ser considerada. O Estado do Rio obteve êxitos importantes na pacificação e não pode retroceder. Que avance, contudo, respeitando os pilares do programa: não à polícia do pé na porta, sim ao patrulhamento de proximidade, com inteligência e sobretudo cidadania.

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