Editorial: Afronta ao Rio na Linha Vermelha

E o que fazem os policiais do 22º BPM, literalmente do lado da ação de ontem? Ficam pescando no Canal do Cunha?

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - O anunciado reforço no policiamento na Linha Vermelha, depois de mais um lamentável arrastão em plena luz do dia a motoristas, não deixa de ser um alento a quem cruza diariamente uma das mais importantes vias expressas da cidade. Mas a medida soa, mais uma vez, como aquela política ‘do depois da porta arrombada troca-se a tranca’, já que o ataque não foi o primeiro deste ano na via — quinta-feira, por exemplo, houve investida semelhante.

O crescimento dos roubos a motoristas no Rio, apontado por levantamentos, era o bastante para que o policiamento naquela área fosse reforçado. Poderia ter evitado mais uma cena degradante que certamente correrá o mundo contra a cidade das Olimpíadas, como foram os ataques a duas atletas no Aterro e nas praias da Zona Sul, recentemente.

Aliás, a ação de bandidos na via que liga a Zona Sul à Baixada e ao Aeroporto Tom Jobim também expõe fragilidades nas ocupações pelas UPPs nas comunidades próximas. Afinal, a tomada desses territórios não era para dar maior segurança a quem trafegasse por ali? E o que fazem os policiais do 22º BPM, literalmente do lado da ação de ontem? Ficam pescando no Canal do Cunha?

Por isso, é acertada a medida tomada pelo governador reeleito Pezão de priorizar a segurança e destinar a maior parte do orçamento ao setor. Que os mais de R$ 10 bilhões sejam bem aplicados. O que não pode é a população continuar acuada, refém do medo de circular nas ruas, evitando locais, por causa de um bando de facínoras que, ameaçados ou expulsos de seus domínios, retaliam com afronta ao Estado e ao cidadão, o que parece ser a causa de ataques na Linha Vermelha.

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