Por felipe.martins

Rio -  Você sabe quem foi a primeira mulher brasileira a votar? A história não registra o nome, mas sabe-se que ela ajudou a escolher os parlamentares que fariam a Constituinte de 1891, a primeira da República. A eleitora pioneira precisou invocar a lei que garantia o direito de voto a todo cidadão com renda mínima de dois mil réis.

Só em 1927 o Brasil teve sua primeira eleitora oficial: a professora Celina Guimarães Viana, de Mossoró, Rio Grande do Norte. Naquele estado, no ano seguinte, foi eleita a primeira mulher: Alzira Soriano, prefeita de Lajes. Ela nem pôde concluir o mandato. A Comissão de Poderes do Senado simplesmente anulou todos os votos das potiguares.

A luta pelo voto feminino cresceu. Há 83 anos, em 24 de fevereiro de 1932, depois de grande campanha nacional, as brasileiras finalmente tiveram o direito ao voto assegurado por lei graças a um Código Eleitoral Provisório. Na época, só casadas, com autorização dos maridos, viúvas e solteiras que tivessem renda própria poderiam votar.

O tempo passou, e a realidade é bem diferente. Hoje, mulheres votam, são votadas, eleitas e empossadas. Celebramos hoje o Dia Internacional da Mulher, mas ainda não ocupamos na política o espaço conquistado na sociedade. Para estimular a participação feminina, a legislação eleitoral foi aperfeiçoada e atualmente determina que pelo menos 30% dos candidatos a mandatos parlamentares sejam mulheres.

A cota, no entanto, não trouxe mais equilíbrio entre homens e mulheres nos espaços de poder. Na Câmara, somos 51 deputadas, ou 10% do total, uma sub-representação. Nossa atuação é fundamental para demonstrar o quanto somos capazes e estamos preparadas para formular propostas e articular saídas para as grandes questões nacionais.

Uma luta não está dissociada da outra. Ainda buscamos equiparação salarial no mercado de trabalho, aqui e mundo afora, como prova o discurso da atriz americana Patricia Arquette na entrega do Oscar. Premiada pelo papel coadjuvante no filme ‘Boyhood’, ela surpreendeu a plateia da cerimônia e a audiência com um discurso em defesa das mulheres: “Está na hora de termos salários iguais de uma vez por todas e direitos iguais”.

A gente chega lá.

Clarissa Garotinho é deputada federal pelo PR

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