Por felipe.martins

Rio - A tipificação de feminicídio no Código Penal, importante conquista das mulheres brasileiras nesta semana a elas dedicada, traz um paradoxo: a alteração na lei, se de fato deve ser comemorada pela sociedade, expõe a resiliência de um comportamento vil e sórdido. O machismo que agride parceiras ou lhes tira a vida pelo desprezo ao sexo oposto teve de virar crime hediondo para que se consiga frear as estatísticas.

Com 4,4 assassinatos em cada grupo de 100 mil mulheres, o Brasil é a sétima nação com maior índice de homicídios femininos em um ranking de 84 países, segundo dados do Mapa da Violência 2012. Aqui, matam-se companheiras ou ex-companheiras dentro de casa, num ambiente supostamente familiar, em crimes que até pouco tempo eram vistos como ‘normais’. Um mal histórico.

Comportamento que muda a partir de amanhã, quando a presidenta Dilma Rousseff sanciona a alteração no Código Penal. Com isso, obtém-se o arcabouço legal para trancafiar por mais tempo e em condições mais rígidas assassinos de mulheres.

Obviamente que a luta não deve parar por aí, e a própria Lei Maria da Penha, o pioneiro esforço contra essa barbárie institucionalizada, já tinha previsto lá atrás série de medidas complementares para alicerçar a punição a agressores e proteger suas vítimas. É imprescindível implantar rede intersetorial de atendimento em saúde, assistência social, segurança e justiça em todo o país. A Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, é bom exemplo de como deve ser esse suporte.

E não se deve esquecer a prevenção, algo tão ou mais vital que o acolhimento. Numa cultura enraizadamente machista e antifeminista como a brasileira, a Educação de novo aparece como ferramenta fundamental. Desde cedo, a escola precisa reforçar valores como igualdade de gênero e respeito.

A sociedade infelizmente distorce ou até mesmo destrói esses preceitos, como se pode ver nos artigos desta página e ao longo da edição de hoje. Mas a caminhada é firme e conseguiu muitos avanços. Certamente terá várias outras vitórias.

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