Por felipe.martins

Rio - O Rio de Janeiro vem sendo muitíssimo acarinhado a partir do dia de seu padroeiro (20 de janeiro) até a data dos seus 450 anos (1º de março). Por todos os motivos, por todas as pompas e circunstâncias, por toda a magia que a nossa cidade exala, milhares são as elegias que sempre se fizeram ao Rio. Eu mesmo já escrevi livro só para louvá-lo, mas também para defendê-lo dos malfeitos que aqui ou acolá lhe impõem governantes bisonhos e novidadeiros.

Costumo dizer que o Rio embriaga todos os que aqui aportam por um indefinível feitiço, mistura certeira do espírito carioca com sua moldura mais estimulante, o conjunto de reentrâncias e morros penetrando os espelhos d’água. A cidade também foi considerada a mais exaltada do mundo em música (mais de duas mil composições), revelação feita por pesquisa que empreendi quando da estruturação do Museu da Imagem e do Som, em 1968.

Ao longo dos séculos, o Rio foi milhares de vezes preservado em sua beleza pelas mãos de pintores e desenhistas. Dentre todos, o que mais se deteve em lhe descerrar o feitiço foi Jean-Baptiste Debret. O artista francês, que chegou aqui para fundar uma Escola de Belas Artes em meados do século 19, detalhou em gravuras, aquarelas e desenhos os costumes e a vida da cidade colonial. Um Rio virgem e deslumbrante, mas por vezes injusto e até bárbaro. Os escravos negros, sempre a serviço braçal dos brancos, perfilavam o protagonismo das observações do artista, que se fez o primeiro cronista do Rio a lhe tomar o pulso e a palmilhar sua vida cotidiana.

Certamente que esta minha exclamação para Debret poderá despertar o interesse de algum leitor desavisado. Pois corra, e vá ao Museu Nacional de Belas Artes, que exibe uma opulenta mostra do artista, cuja titularidade para homenagear o Rio faz dele uma culminância das celebrações dos 450 anos de agora, coordenadas pela agilidade do Comitê Rio 450 anos.

Ricardo Cravo Albin é presidente do Instituto Cultural Cravo Albin

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