Jairo da Cunha: Pensando o nosso futebol

Precisamos de fato reavaliar o nosso modelo de pensar e executar o esporte

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - O futebol brasileiro, após a Copa, passou a ser foco de pesadas críticas e de piadas. Volta e meia, a humilhante goleada da Alemanha na semifinal vem à tona. Penso que já passou da hora de fazermos profunda reflexão sobre o verdadeiro distanciamento entre o futebol brasileiro e o europeu, tanto no que diz respeito à estrutura do esporte como business quanto ao que é jogado. Precisamos entendê-lo como um espetáculo e, a partir daí, como o princípio fundamental para o desenvolvimento como um todo. O que está fracassando não é a Seleção nem os pontos corridos, mas sim o futebol brasileiro.

No que diz respeito à minha categoria, treinador, penso que temos nossa parcela de culpa nesse empobrecimento tático. Mas entendo que teremos papel fundamental na transformação do estágio atual para um de vanguarda, e isso passa por um novo perfil de treinador. Um perfil que direcione para uma formação integral. O primeiro passo é entendermos, como categoria, que precisamos de curso de formação de excelência, chancelado por federações, CBF, Fifa e Uefa, para, então, discutirmos a regulamentação da profissão no Brasil.

Para ilustrar a nossa realidade, uma reflexão: no que diz respeito ao mercado europeu, não há um só treinador brasileiro em grandes clubes. Por outro lado, trabalham naquele continente argentinos, chilenos, colombianos e uruguaios. A pergunta é: por quê?

Falando do Oriente Médio, mercado por excelência de treinadores brasileiros, precisamente no Qatar (onde trabalhei entre 2007 e 2008), 40% das comissões técnicas da primeira e da segunda divisão eram de brasileiros. A realidade naquele cenário, até 2013, era privilegiada para nós. Mas o cenário mudou. O Comitê Olímpico, que é a CBF de lá, passou a exigir certificação chancelada pela Fifa. Minguaram os brasucas por lá. Cenário que pode ser visto no mundo todo.

Precisamos de fato reavaliar o nosso modelo de pensar e executar o futebol. Isto serve para todas as entidades envolvidas neste apaixonante desporto.

Jairo da Cunha é técnico e autor do livro ‘O perfil do treinador de futebol para o século 21’

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