Por bferreira

Rio - A liberdade de expressão é considerada — e sempre foi — a pedra angular da convivência entre governantes e governados. O ser livre tem como direito básico o poder de falar, “o expressar-se por palavras ou por escritos o que lhe vai na alma e na garganta”, como vomitou Voltaire em desabafo veemente ao longo de diatribes de seu tempo.

Pois é precisamente em nossa contemporaneidade, a do Brasil de hoje, que o falar sem amarras fecunda a liberdade da imprensa. Ou seja, são valores de essência, que nos são preciosos, porque já os perdemos em tempos autoritários de décadas recentes, ou mesmo mais remotas, anos 30, virada dos 40.

Vez por outra, leem-se nos jornais arreganhos de “regularização da imprensa”, que não refletem senão a esperteza de índole totalitária, a nostalgia de certos círculos políticos no sentido de mergulhar de cabeça no bolivarianismo que corrói alguns países do nosso hemisfério, a começar pela Venezuela.

A liberdade de expressão não só me é assunto de intimidade e de gosto, mas de ação concreta, quando empunhei armas contra a censura de diversões públicas entre 1979 e 1986, finalzinho do governo militar.

Comprovei a insensatez e me indignei com a sistematização da burrice e da truculência de vetos ao teatro, ao cinema, às músicas e, sobretudo, aos livros. Lutamos, Pompeu de Sousa, Daniel Rocha, Susana de Moraes e eu, entre outros companheiros queridos, contra o horrendo DCDP (Departamento de Censura de Diversões Públicas), às barbas do Ministério da Justiça — o que, aliás, me rendeu uma conquista, o livro ‘Driblando a Censura’ ou ‘De como o cutelo vil incidiu sobre a cultura’ (Editora Gryphus, 2002).

Naqueles tempos de defesa da liberdade de expressão, exaltávamos com convicção fervorosa a frase: “É sempre melhor o barulho e o despudor das vozes da democracia ao silêncio das falácias virtuosas e das falas escondidas da ditadura.”

Ricardo Cravo Albin é presidente do Instituto Cultural Cravo Albin

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