Cláudia Gonçalves: A verdade dói...

Se quisermos mudanças, precisamos aceitar o mundo como a realidade que existe para ser transformada

Por bferreira

Rio - A ideia de se falar a verdade é assustadora, tanto para quem fala, quanto para quem escuta. Especialmente se for uma verdade que não se quer ouvir. Por que tanto medo? Criamos fantasias que mascaram a realidade em vã tentativa de controlá-la e fingir que aquela ilusão é a felicidade. Não se quer enxergar que existe o diferente, o renegado, o discriminado, o faminto, o terror, a maldade. Temos que pintar um mundo todo cor-de-rosa para nos sentirmos seguros e, nesta ilusão, caminhamos temerosos e enfrentando as surpresas de quem nunca as espera.

O que se observa hoje é: se for para ‘eu me dar bem’, levar vantagem, algo de meu interesse, já não valem a ética, os valores. Cada um quer e tem a liberdade, é um tal de ‘tudo pode e tudo é’ que Deus nos perdoe, seres insignificantes desse universo! Com isso, cada um se vê com seus direitos de fazer o que quiser, e assim outros também com seus direitos e liberdades. Instala-se o caos! Aí começa a choradeira...

A moral anda fora de moda. O respeito ao outro, às suas crenças e sentimentos, coisa antiquada! O importante é que se possa respeitar a si mesmo. Egoísmo coletivo. Coletivo e egoísta; chega a ser paradoxal. Se quisermos mudanças, precisamos aceitar o mundo como a realidade que existe para ser transformada. Mas isso é um trabalho doloroso. O natural é selvagem. Não se pensa em piedade ou vingança. Apenas vive-se sua natureza, como movimentos de ação e reação. Lembra-se da aula de Física na escola?

Um leão não vai pensar na família de uma zebra quando estiver com fome, tampouco atacará por ódio. Os animais conseguem compreender a natureza e aceitá-la sem contestá-la. Não possuem os mecanismos de pensamento que incluem nosso ego como mediador, sempre tendendo ao centro da observação. Ao mesmo tempo, a zebra não vai querer fazer amizade com o leão. Cada um ocupa o seu lugar e buscam a vida. Vez por outra uma zebra morre abocanhada por um leão faminto. É a natureza e ela não é cruel por isso. É apenas a natureza em seus ciclos naturais de vida, morte e renascimento. Vamos transformando-nos, para um mundo melhor, é claro. Porque do jeito que está, não dá mais pra ficar.

Cláudia Gonçalves é educadora e empresária

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