Ruy Chaves: Educação como obsessão

O Dia da Educação, na próxima terça-feira, impõe um olhar para o passado orientando o olhar para o futuro, avaliando a Educação ideal e a real

Por bferreira

Rio - O Dia da Educação, na próxima terça-feira, impõe um olhar para o passado orientando o olhar para o futuro, avaliando a Educação ideal e a real. O Enem 2014 mostra retrocesso, se comparado ao de 2013. As médias caíram 7,3% em Matemática e 9,7% em Redação. Em 2013, foram 106 mil zeros em Redação; em 2014, 529 mil! Ensino sem aprendizado não é ensino.

Apenas 50% dos jovens de 15 a 17 anos cursam o Ensino Médio. Meninos envolvem-se com o crime; meninas, com gravidez precoce. Mais de 60% dos que o concluem não entram na universidade. E o analfabetismo funcional? Um terço dos brasileiros de 15 a 64 anos consegue entender apenas mensagens simples ou fazer contas básicas. E os ‘nem-nem’? Cerca de 20% dos jovens entre 18 e 25 anos não estudam, nem trabalham, nem procuram emprego.

A escola não é atraente, não prepara para a vida nem para o trabalho. Limitada às salas de aulas e a professores mal remunerados — muitos lidando com alunos e pais sob vulnerabilidade e risco —, desconectada do mundo real e da tecnologia, a escola “tranca o século 21 do lado de fora”.

A Educação tem que ser obsessão nacional, obsessão das famílias, das políticas públicas e do mercado, com visão de mundo e de futuro, ruptura com o anacrônico e com tudo que contrarie interesses e aspirações nacionais. A Educação não vem apenas do desejo, não é algo instantâneo, mágico, não é o vermelho que vira verde nem o chapéu que vira coelho.

Imprescindível qualificar o Ensino Médio para avançar na formação superior e na competitividade. Com 18% dos trabalhadores com curso completo, temos seis engenheiros para cada 100 mil habitantes; o Japão, 25.

Com apenas 7,3 milhões de matrículas no Ensino Superior em 2013 e menos ingressantes e concluintes que em 2012, com restrições ao Prouni e ao Fies, em 2015 teremos menos matrículas que em 2013. No passado o Brasil sempre foi o país do futuro. E no futuro?

Em 10 anos, o percentual de sul-coreanos com curso superior subiu de 24% a 40%. Ótimo exemplo. Ânimo! Somos senhores do nosso destino, e não escravos das circunstâncias.
Feliz Dia da Educação. Panta rei!

Ruy Chaves é diretor da Estácio e da Academia do Concurso

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