Por felipe.martins

Rio - Há semanas, o paraibano-carioca Ricardo Rique, empresário e ex-deputado federal, morador entusiasmado do Rio, fez uma festa para comemorar os 50 anos de Ricardo Amaral na cidade, vindo de São Paulo. Reuniu pessoas representativas da vida social e empresarial da capital fluminense.

Ricardo Amaral conta com meio século de iniciativas marcantes, tendo como ponto de partida o complexo da Lagoa, formado pelo cinema Drive-In e o de boates e restaurantes, como a Sucata e o Gattopardo, além dos longos anos de reinado do Hippopotamus, na N. Sra. da Paz, em Ipanema. Foi o primeiro a ‘importar’ um chefe de cozinha. Organizou festas e eventos, como a famosa Feijoada de Carnaval. Enfim, na animação e na alegria, inovou e liderou.

O Rio foi sua plataforma para marcar presença de nossa música e gastronomia em centros de importância mundial, como Paris e Nova York. Pode-se a ele atribuir a internacionalização da caipirinha, nas versões com cachaça e vodca. Suas casas fora do país chegaram a ser reconhecidas entre as mais prestigiadas.

A primeira queima de fogos na Atlântica foi ideia sua, e hoje é o maior evento da cidade. Antenado, nunca se deixou ultrapassar — e por isso é único. Criou escola de bons profissionais, disputados no mercado, por carregar no currículo passagem pelas suas casas. E é sempre bom lembrar que a atividade ligada à gastronomia, música e animação da cidade é importante na economia e na geração de empregos.

Parte desta história está no seu excelente livro de memórias, que se confunde com décadas da vida carioca, sendo ainda de sua autoria o mais prestigiado guia gastronômico da cidade. O Rio sempre foi o grande centro de espetáculos do Brasil. Foram referências no teatro rebolado, dos anos 1950 e 1960, Carlos Machado e Walter Pinto; na noite, o Barão Stukert, os irmãos Silva Ramos, cada um a seu tempo; nos restaurantes, Manuel Agueda, a partir do Nino’s. Ricardo Amaral veio, viu, venceu e modernizou, tendo a seu lado a admirável Gisela. Mulher de fé e determinação, que no campo da solidariedade social, dos movimentos de apoio aos menos favorecidos, é um exemplo a ser lembrado e seguido.

Nada mais natural do que comemorar essa trajetória de meio século de um homem que soube fazer de seu sucesso um benefício para a cidade que escolheu para viver e constituir família. O Brasil, para vencer a crise, precisa de gente assim, que empreende com competência, criatividade e correção.

Aristóteles Drummond é jornalista

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