Editorial: No vácuo do Estado, a ousadia

O Complexo do Chapadão aos poucos se equipara ao Alemão e à Maré no tamanho do desafio a ser vencido pelo Estado

Por bferreira

Rio - O Complexo do Chapadão aos poucos se equipara ao Alemão e à Maré no tamanho do desafio a ser vencido pelo Estado. Na ausência de cidadania, segurança e políticas sociais, imperam o medo e a ousadia dos bandidos, como O DIA vem mostrando desde domingo. Entre as atrocidades dos criminosos, festas para comemorar a morte de policiais e até ‘blitzes’ em que se ‘pedem documentos’ — quem prova morar em uma das 24 favelas da região pode escapar de ser assaltado. Cria-se, portanto, mais uma zona de exclusão, igual às que atiram menores ao tráfico.

O Chapadão é o quartel-general da hora, e sua intransponibilidade dá tempo para o tráfico se fortalecer. Arma-se com isso perigosa engrenagem que faz antigos entrepostos do crime voltarem às fileiras das facções. E o jogo da pacificação ameaça virar contra as tropas da segurança e a ocupação cidadã — vide os tiroteios, que retornaram até ao Santa Marta, então joia da coroa das UPPs.

Evidentemente que não será com o pé na porta que o Estado retomará territórios no Chapadão. Também há o problema do cobertor curto, e desta vez há mais riscos ao desguarnecer áreas, dado o aumento de roubos e ataques com faca. É preciso agir com inteligência, movimentando os excelentes quadros de que a polícia dispõe, para dar conta dos 200 fuzis em poder do tráfico da área — e da ousadia de facínoras que aterrorizam 220 mil moradores.

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