João Baptista F. de Mello: A vida começa aos 80

O Cristo do Corcovado deriva de ambição da Igreja mesclando fé, empreendimento artístico, dadivosa natureza e ímpeto de engenhosa arquitetura

Por O Dia

Rio - O Cristo do Corcovado deriva de ambição da Igreja mesclando fé, empreendimento artístico, dadivosa natureza e ímpeto de engenhosa arquitetura. O projeto oferecido por um jesuíta à princesa Isabel, católica fervorosa, foi obstaculizado em decorrência e em confronto com a República e a separação Estado/Igreja em meio à batalha de símbolos e alegorias criadas sob a ordem e o progresso de 1889. A autorização foi concedida sob a Presidência de Artur Bernardes, nos idos de 1922, com sua gestão difundindo valores religiosos e cívicos.

Querelas à parte, o consagrado projeto ficou a cargo do engenheiro Heitor da Silva Costa. Adotaram-se em seu revestimento ferro, concreto e pedra-sabão, que não permitem rachaduras, dilatação ou absorção de umidade, além de facilitar efeitos cromáticos, quando iluminada, tornando-se fosforescente. Como resultado, em qualquer momento, a gigantesca imagem do Cristo configura fraternidade, amparo, acolhida e empatia.

Uma das Sete Maravilhas do Mundo, o Cristo integra uma jovem, octogenária e luminosa galeria da qual fazem parte neste Rio de toda gente personalidades por Ele abençoadas tais como a cantora Dóris Monteiro (80), Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, ambas com 85, perpetuando corajosos e novelísticos beijos e reconhecidos talentos. Com elas perfilam o gênio da bossa nova João Gilberto (83), mais Ângela Maria (86). Seu parceiro de performances e discos, Cauby Peixoto (84), o eterno namorado da ‘Conceição’, como brincou Jorge Ben Jor, continua soltando o vozeirão. Outra lenda, honra e glória da MP, Luiz Vieira prossegue com agenda de shows e excelente programa diário no rádio. Desafiando o tempo, Helena de Lima (89), de pródiga memória, continua fazendo shows. Caso extremo, extrapolando os limites da imaginação, Bibi Ferreira (92), diretora de peças teatrais, canta em palcos do país e, ano passado, arrebatou o Lincoln Center, em Nova York.

Diante de tantos magníficos símbolos e devoção, não resta dúvida: a vida começa aos 80.

João Baptista F. de Mello é coord. do Roteiros Geográficos do Rio da Uerj

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