Luiz Alfredo Vieira d’Almeida: Obesidade é doença

É comum ouvirmos por aí críticas a pessoas obesas. Por que temos o direito de criticar o peso do outro?

Por bferreira

Rio - É comum ouvirmos por aí críticas a pessoas obesas. Por que temos o direito de criticar o peso do outro? Nós não falamos mal dos hipertensos, dos diabéticos. A obesidade também é doença crônica, que precisa de atenção e cuidados específicos como qualquer outra. O que tem que ser mudado urgentemente é esse conceito de que o obeso é preguiçoso, de que a obesidade é culpa de quem come muito. Essa linha de pensamento é injusta e serve apenas para reduzir a autoestima de alguém que não muda sua saúde porque não consegue, e não porque não quer. Se é difícil para você perder dois quilos para entrar numa calça antiga, o que diria a alguém que precisa perder 70 quilos?

O Ministério da Saúde aponta que 52% dos brasileiros sofrem com sobrepeso ou obesidade. É correto então que, pautados pelo tido ‘modelo de beleza’, façamos críticas tão ferrenhas ao outro? Fora que o padrão do belo imposto socialmente é o que menos importa. O que realmente vale é a nossa qualidade de vida. Sobrepeso não é fator de saúde. Obesidade é doença; logo, precisa ser tratada.

Os obesos devem ter uma rotina de exercícios físicos, cardápio balanceado e apoio psicológico para identificar problemas como ansiedade e estresse. Até aí, sem novidades, já que as regras para cuidar do corpo e da mente valem para todos. A diferença é que as pessoas muito obesas podem recorrer à cirurgia bariátrica, para recuperar a qualidade de sua rotina. O que não é nenhuma vergonha. A cirurgia garante a alguém que já não pode subir escadas, passar na roleta do ônibus ou mesmo se sentar em uma cadeira de plástico que a vida dela pode recomeçar. Que ela pode ter saúde outra vez.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, o Brasil hoje é o segundo país com mais cirurgias realizadas, com 80 mil procedimentos por ano. Fica atrás apenas dos Estados Unidos. O que é uma estatística positiva. Estamos investindo em qualidade de vida. Não são críticas e bullying que vão ajudar a perder peso. Ofensas apenas segregam.

Luiz Alfredo Vieira d’Almeida é médico cirurgião

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