Leda Nagle: Uber ou amarelinhos?

Resolver no braço não é aceitável. A surdez e a cegueira das chamadas autoridades também não

Por bferreira

Rio - Engraçado que, tão forte como na vida real, tudo que se diz ou se escreve no mundo virtual vira uma guerra. Uma questão de ame-o ou deixe-o. Qualquer opinião vira uma espécie de Fla X Vasco. Foi assim a semana toda na questão dos táxis. De um lado o time do Uber, o táxi executivo. Do outro, o dos táxis amarelinhos, os chamados comuns. E não estou falando aqui de discordância de ideias ou de gostos e preferências. Estou falando da indelicadeza das postagens, da falta de educação das opiniões.

Na verdade, esta brutalidade nas posições divergentes começou, que eu me lembre, durante as últimas eleições e seguiu em frente, acirrada, do cotidiano à política ou à fé e chegou aos táxis, sempre com a mesma fúria. E só não chega às chamadas vias de fato, ou seja, à pancadaria, quando ainda está no mundo virtual. Porque na vida real, entre taxistas, já chegou à violência faz tempo. O que não faz o menor sentido. Viver este tempo de indelicadeza é muito desagradável. A unanimidade não é obrigatória na sociedade ou na família. As divergências existem, as opiniões se multiplicam, a tomada de um lado ou de outro diante de um fato é inevitável e até saudável. Vários olhares sobre um mesmo acontecimento enriquecem a análise e estimulam o conhecimento. O que me incomoda é a violência e o fanatismo. Neste caso dos táxis há muito para discutir. Mas, por favor, com educação. Como em toda categoria, entre os taxistas dos dois lados, há os bons, os maus e os nem tanto. Os amarelinhos do Rio nunca foram, de modo geral, queridinhos.

Também quase sempre não fazem por onde. Quase nunca são gentis ou minimamente educados, os carros muitas vezes estão em condições precárias, nem sempre aceitam o trajeto a ser feito, recusam corridas, e a famigerada diária aumenta o mau humor deles. Isto sem falar dos taxímetros adulterados, principalmente nos aeroportos ou rodoviárias, ou o sumiço geral na chuva. O poder público sempre fez ouvidos moucos. Como o faz também com a péssima qualidade dos ônibus e dos seus condutores que circulam pela cidade. Na verdade, o Uber vem, pelo mundo todo, preenchendo um vácuo que este serviço usual de táxi tem deixado. Eu, pessoalmente, não tive uma experiência feliz com o Uber, por isto não me tornei adepta ao serviço deles, mas alguns amigos meus adoram e acho que se tornaram mal necessário. Claro que devem pagar as taxas que os taxistas pagam para funcionar, mas será que os descontos que os amarelinhos têm ao comprar os veículos não compensam esta diferença? Será que a presença deles não vai melhorar a qualidade do serviço como um todo? Uma coisa é certa: resolver no braço não é aceitável. A surdez e a cegueira das chamadas autoridades também não. A unanimidade possível, neste caso, é uma só: o transporte no Rio é péssimo.

E-mail: comcerteza@odia.com.br

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