Editorial: Jogo, questão de coerência e oportunidade

Um país com vasta tradição em loterias e que recentemente ensaiou conviver com bingos não teria argumentos para banir os cassinos

Por bferreira

Rio - Faz mais de meio século que o jogo de azar foi proibido no Brasil. As razões — ou pressões — que levaram à decisão parecem, hoje, à luz da sensatez e da prudência, reflexos do mais arcaico carolismo. E o assunto tornou-se tabu, talvez atendendo a interesses de segmentos diversos. Como O DIA vem mostrando desde sexta, é grande o esforço do governo em liberar cassinos e bingos, mas a resistência será à altura.

O debate é necessário e deve se pautar pela coerência. Um país com vasta tradição em loterias e que recentemente ensaiou conviver com bingos — fora o universo de jogatinas que se mantém fervilhante no submundo — não teria argumentos para banir cassinos. Estes são reconhecidamente fontes de renda e geradores de empregos, desde que minimamente regulamentados, o que no Brasil se faz até com certo exagero.

Exageradas também as reações de quem enxerga a perdição irremediável caso os cassinos reabram. Não é essa a discussão que cabe. Com serenidade, todos terão a ganhar com o jogo legal.

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