Thiago Pampolha: Não dá para se lixar a esse problema

Temos que acabar de vez com os lixões, que são foco constante de doenças e de contaminação do ar e do solo e das águas

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Quem já viu crianças dividindo espaço com porcos no meio do lixo sabe a que ponto pode chegar a miséria humana. Infelizmente, em pleno século 21, essa cena ainda se repete diariamente em centenas de lixões pelo país. Esse é um dos problemas mais graves da nação, tanto pelo aspecto social, quanto pelos riscos ambientais e de saúde pública. Não sem motivo, foi criada em 2010 a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que, depois de algumas mudanças, passou a prever o fim de todos os lixões até 2021.

No Rio, a situação melhorou bastante nos últimos anos. Em 2007, 76 dos 92 municípios fluminenses despejavam os resíduos sólidos em lixões. Nessa época, 41% de todo o lixo produzido ia parar nesses depósitos a céu aberto. Hoje, restam 17 lixões no estado, que recebem cerca de 2% do total de resíduos sólidos. Foi um avanço significativo, mas é preciso fazer mais. Temos que acabar de vez com os lixões, que são foco constante de doenças (pela presença de animais) e de contaminação do ar (pelo gás metano) e do solo e das águas (pelo chorume, líquido tóxico que escorre do lixo).

Mais do que fechar os lixões, é preciso acompanhar de perto o trabalho que é feito nos aterros sanitários, nas cooperativas de reciclagem e nas estações de tratamento de chorume. Foi com esse propósito que a Alerj criou a CPI dos Lixões, da qual sou relator. Desde que a comissão foi instalada, em março, já visitamos lixões e aterros controlados em diversos municípios. E fizemos reuniões, para ouvir os relatos de todos os envolvidos: catadores, moradores e autoridades. Nossa meta é fiscalizar o processo de desativação dos lixões, identificar falhas e propor correções, para que não haja prejuízos à comunidade e ao meio ambiente.

Um dos grandes desafios do mundo contemporâneo é como lidar com a quantidade crescente de lixo produzido por uma população que consome cada vez mais. Há várias iniciativas importantes, como a coleta seletiva, a reciclagem e o consumo consciente. Mas nenhuma dessas medidas será verdadeiramente eficaz sem a completa extinção dos lixões. O primeiro passo para uma sociedade avançar é arrumar a própria casa. E essa arrumação começa, sem dúvidas, pelo lixo que produzimos.

Thiago Pampolha  é relator da CPI dos Lixões na Alerj

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