Por bferreira

Rio - Na França e na Alemanha, o aborto antes da 12ª semana de gestação é permitido. Praticamente todos os países do Hemisfério Norte o consideram legal. Qual seria a razão da proibição no Hemisfério Sul? No caso do abortamento criminoso, ilegal, que acontece aqui no Brasil, o governo não oferece planejamento familiar, por economia ou pressão de grupos religiosos, e acaba tendo um gasto irresponsável com as sequelas destes procedimentos, tanto em perdas financeiras como em perdas físicas e emocionais, dos seus contribuintes. Não é um planejamento inteligente. E não pode ser intencional. Parece que tratamos das sequelas sem olhar as causas.

No ‘primeiro mundo’, em um sistema adequado, a mulher define o seu futuro. Se aquela gestação é indesejada, o serviço público, pago com seu imposto, oferece a solução. A terminação daquela gestação é feita em ambiente hospitalar, com todo o cuidado técnico e de higiene. A mulher sendo tratada desta maneira preserva sua saúde. A seguir tem acesso a serviço de planejamento familiar, com as instruções de prevenção, na expectativa de que não seja necessário recorrer novamente ao abortamento. A oferta de auxílio psicológico também é disponibilizada. Os registros destes países mostram cada vez mais um número decrescente de internações e reincidências. Essas mulheres não realizam mais o aborto. Não precisa matemática para entender que o sistema é muito mais econômico para o estado; o cidadão é mais bem atendido, e sua saúde, preservada.

É claro que não defendo o aborto como forma de planejamento familiar. Defendo um sistema que olhe para seu cidadão como um todo, oferecendo a prevenção da gravidez; na falha de um método ou na ignorância do seu uso, não se condene o cidadão a uma gestação indesejada, a um menor possivelmente desassistido e a uma mulher criminosamente mutilada física e emocionalmente.

A receita para diminuir o abortamento criminoso passa pelo programa consciente de planejamento familiar. Sabemos que é lei oferecer estes serviços. Mas onde a população tem acesso ao planejamento familiar? Não existem políticas de publicidade maciça. O povo não sabe nem que tem direito a este serviço, nem onde procurar.

Luiz Fernando Dale é especialista em reprodução humana

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