Aristóteles Drummond: O esporte nacional segundo Negrão de Lima

Vivemos no Brasil um clima de especulações de toda ordem, em meio a tristes realidades

Por bferreira

Rio - O experiente e bem-humorado governador Negrão de Lima, sempre que tomava conhecimento das intrigas da política, costumava lembrar que, ao contrário do que se pensava, o esporte nacional não era o futebol, mas, sim, a “fofoca”. Esta é praticada e cultivada pela população, estimulando as mais absurdas especulações sobre a política e os políticos. E lembrava que a realidade já era tão rica em fatos teoricamente inacreditáveis que não havia necessidade de se dar asas à imaginação. Nem provocar debates em torno de hipóteses.

Vivemos no Brasil um clima de especulações de toda ordem, em meio a tristes realidades. Uma delas é o comportamento do PMDB, conspirando contra a presidenta da República sem o constrangimento de ser o vice-presidente membro destacado do partido. E o governo paralelo, com programa e tudo, é apresentado por político sem mandato, ministro duas vezes de Dilma. Este é fato, não fofoca, como diria o sábio político. Por outro lado, vivemos um clima de terrorismo em função de processos na Justiça Federal, com participação do Ministério Público e da Polícia Federal. A intriga se faz sentir no caso do ex e do atual governador do Rio, cujos nomes surgiram no processo sem base em dados confiáveis, o que levou a PF a sugerir o arquivamento, ora desfeito por outras instâncias. Sabor de jogo político.

Alimentar este noticiário, criar um clima de disputa, intervindo no que é apurado pela Justiça, inclusive a grave situação de contas de campanhas eleitorais com irregularidades gritantes, serve apenas para prejudicar ainda mais a combalida economia, que tem no trabalhador punido com o desemprego sua vítima maior.

Existem providências viáveis para minorar essas dificuldades. O Judiciário acelerando os processos e não permitindo que recursos levem à morosidade desgastante para todos. O Executivo cobrando o ajuste necessário para conter a crise econômica e, de certa maneira, social. E o Legislativo deixando de lado interesses pessoais e colocando em pauta os temas de notória urgência, inclusive o destino dos presidentes das duas casas em situação de desconforto perante a opinião pública.

Estamos fazendo por desmerecer a democracia, violada no processo eleitoral, sacrificando os brasileiros mais sofridos e passando por triste desgaste internacional. É preciso patriotismo.

Aristóteles Drummond é jornalista

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