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Jaguar: Minha história de Papai Noel

Todo mundo tem sua história preferida. A minha é a de Mário Vianna, folclórico juiz de futebol

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Sempre detestei o velho lacaio do capitalismo. Mas guardava durante o resto do ano, num caixote no porão, um kit de presépio. Com a Sagrada Família — São José, Nossa Senhora e o Menino Jesus na manjedoura —, o burrinho, a vaca, os Reis Magos montados nos camelos. A Terra Santa era areia que a gente trazia da praia. O presépio tinha até um lago, feito de um espelho oval de maquiagem da minha mãe, onde nadava um patinho de celuloide. Eu acrescentava alguns carrinhos em miniatura e soldadinhos de chumbo. Meu pai resolveu acabar com o presépio quando, mais taludinho, botei ao lado da Sagrada Família uma bonequinha e disse que era Maria Madalena. Já era a minha mente suja de cartunista se manifestando.

Poucos se lembram de um cartum que publiquei na revista ‘Senhor’ há mais de meio século e que deixou muita gente revoltada. Mostrava Cristo crucificado e dizendo para uma mulher voluptuosa: “Hoje não, Madalena. Estou pregado.”

Todo mundo tem a sua história preferida de Papai Noel. Das que conheço, a mais pitoresca é a que Mário Vianna, o folclórico juiz de futebol (era da PE, a temida Polícia Especial, que espancava os ‘comunistas’, ou seja, todos que eram contra a ditadura de Getúlio Vargas), contou numa entrevista ao ‘Pasquim’: “Nós tínhamos aqui no edifício (na Urca, onde ele era o mais famoso morador) uma tradicional árvore de Natal.

Todos os anos eu enfeitava a árvore. Pedia aos moradores que trouxessem presentes para a criançada. Eu me vestia de Papai Noel e os distribuía no posto de gasolina. Chegava numa charrete enfeitada. Um dia, um carro começou a buzinar. Queria, é claro, botar gasolina. Os empregados estavam todos me apreciando de Papai Noel, distraídos. A coisa foi engrossando, e sobrou para mim; ele começou a dizer para acabar com aquela palhaçada, e até aí estava com a razão. Mas partiu para a ofensa. Disse que eu parecia uma bicha com aquela roupa de seda vermelha. Respondi: ‘Não bato em folgado sentado.’ Mandei ele sair do carro e enfiei-lhe a mão. A garotada virou torcida organizada e vibrava com as rasteiras e porradas que eu dava. ‘Dá-lhe, Papai Noel!’, gritavam , enquanto pais e mães ficavam horrorizados com a cena de violência do ‘Bom Velhinho’.”

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