Por felipe.martins

Rio - Não é de agora que sabemos o quanto o crime é organizado e crescente no Brasil. O ‘poder paralelo’, representado por facções, muitas com mais de 20 anos de existência, está cada vez mais sólido, com tentáculos em vários setores da sociedade. Mesmo entendendo que suas ações são à margem da lei, é inegável a gestão eficiente, na qual, acima de tudo, a hierarquia é respeitada.

Essa linha de pensamento pode parecer agressiva para alguns ou, até mesmo, insana para outros, mas é interessante chamar a atenção para esse fato. Acompanhando e estudando a segurança pública desde a década de 80, é notório o avanço organizacional do crime. Cada facção tem seu estatuto, suas regras e um esquema de arrecadação quase infalível. Até mesmo porque a inadimplência ou o não cumprimento de alguma norma pode significar para o membro não somente a exclusão, mas a morte.

No Brasil, existem várias dessas organizações criminosas. Para citar as principais, podemos falar do Primeiro Comando da Capital, em São Paulo, aliado ao Comando Vermelho, do Rio, e também de outros estados, como o Primeiro Comando do Paraná. No Rio, há ainda o Terceiro Comando, oposição ao CV, consequentemente ao PCC. E em São Paulo há o Terceiro Comando da Capital, oposição ao PCC e ao CV.

Como na dramaturgia, na qual a obra imita a vida real, onde qualquer semelhança é mera coincidência, elas são como partidos do crime, onde a maioria defende a paz, a justiça, a liberdade e a igualdade. Há em todas um alto nível de hierarquização, e quando seus respectivos estatutos são violados, no geral o transgressor é punido. Não há a sensação de impunidade. Nenhum ato desonroso fica impune.

Como qualquer ‘instituição’ do mundo capitalista, o lucro é a finalidade principal e, para isso, monitoram de forma minuciosa não só as atividades do tráfico de drogas (inclusive internacional), como também roubos de cargas e a bancos, contrabando de armas e arrecadação mensal dos membros, inclusive os presos.

A reflexão que devemos fazer é que chegamos a um ponto tal de inversão de valores, no qual os marginais dão melhores exemplos de gestão, enquanto o poder constituído não consegue se entender para colocar o país de volta ao rumo do crescimento.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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