Paulo Senise: Lucro na alegria

Agentes de viagens estimam que até 11% do seu faturamento anual é gerado pela demanda do Carnaval

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - A mistura de hábitos que moldou o Brasil desde a chegada da família imperial no século 19 produziu um fenômeno cultural que fabricou um caso incomparável de sucesso, um evento impossível de ser gerado em qualquer laboratório de marketing. Como transformar a alegria popular, combustível máximo da festa, no “maior show da Terra”?

E esse fenômeno veio acontecendo, enfrentando oposições, proibido em alguns momentos, mas resistiu, cresceu e hoje ocupa o seu lugar de destaque maior no calendário de eventos do Brasil, principal gerador de demanda para uma vasta cadeia produtiva que movimenta diversos setores dos mais variados. De quartos de hotel a poltronas de avião, de ambulantes a organizadores de eventos, alimentos e bebidas, o setor têxtil, construção civil, transportes marítimo e terrestre, energia, combustível, comunicação, comércio em geral e serviços. Por todo o país, muitas cidades, grandes ou pequenas, tem no Carnaval uma fonte imprescindível de receitas, diretamente dos turistas e também em forma de projeção de imagem através de comunicação espontânea com alcance global.

Agentes de viagens estimam que até 11% do seu faturamento anual é gerado pela demanda do Carnaval, movimentação financeira que pode chegar a R$ 5,5 bilhões e criar 250.000 empregos temporários. E não somente as grandes capitais lucram. No Rio de Janeiro, e em outros estados, é comum o movimento de residentes da capital buscarem a folia no interior, gerando igual demanda pelos mesmos serviços e grande impacto positivo no turismo. Mesmo para visitantes estrangeiros, a atração que tem na cidade seu palco maior, gera também um enorme fluxo para o interior, em especial para os municípios localizados em até três horas de distância, demanda que já se tornou campanha desenvolvida pela Setur-RJ/TurisRio, chamada RIO+3, refletindo em bons resultados para diversos municípios fluminenses.

Esse resultado de tamanha importância para o Brasil, certamente não passou pela cabeça dos Bambas do Estácio, fundadores da primeira escola de samba a quem, nas figuras de Ismael Silva, Bide, Heitor dos Prazeres, e todos os compositores da Velha Guarda de todas as escolas, dedico este artigo.

Paulo Senise é presidente da TurisRio


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