Eugênio Cunha: A cultura da não violência

É na infância que devemos começar a agir, para que meninos e meninas, que hoje são apenas vítimas, não se tornem também algozes amanhã

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Violência: não paramos de pensar e de falar sobre ela, de conviver com ela. Violência no trânsito, nas ruas, no trabalho, nos hospitais, na política. Violência contra a mulher, contra a criança, contra as minorias, contra a escola, contra a esperança, contra a vida.

Alguém já disse que existe uma cultura da violência instituída nas sociedades. De fato, as pessoas cultivam a violência, porque aprendem a ser violentas. Essa cultura se estabeleceu e norteia em muitos momentos as atitudes dos indivíduos.

Quando lembramos que a feridade no trânsito é praticada por pessoas que em outros momentos são até extremamente pacatas, confirmamos que o meio social tem enorme influência, pois é capaz de tornar irascível o fleumático. Como podemos mudar?

É na infância que devemos começar a agir, para que meninos e meninas, que hoje são apenas vítimas, não se tornem também algozes amanhã. É comum crianças já conviverem desde cedo com essa chaga social. A escola é caminho para a mudança. O comportamento aprendido e replicado da hostilidade, da agressão e da aspereza precisa ser trocado pela cordialidade, solidariedade e pureza. A infância é momento de inocência, que é perdido quando o menino e a menina descobrem-se homem e mulher capazes de matar e de morrer. É preciso que experimentem a capacidade de viver e de fruir a convivência e a tolerância.

Governos inoperantes com despudor democrático, escolas ocupadas em nome da decência. Estudantes impossibilitados de estudar, famílias sem seus filhos em sala de aula, retrocesso e atraso na Educação. O que fazer diante de um quadro desses? As respostas não estão apenas nas ações dos educadores. Achar que a Educação — somente ela — é a solução para as mazelas dos tempos atuais é apequenar o olhar diante de complexidade bem maior. Toda mudança profunda nas estruturas sociais vai precisar da Educação; porém, além dela, a sociedade inteira terá que suscitar valores advindos da alteridade, da justiça e do amor.

Sim, é preciso mudar o estado atual das coisas para sermos humanos a favor da bondade e contra a intolerância; com as armas da liberdade para servirmos e construirmos uma forma de vida capaz de aprender a cultivar a compreensão e a lucidez.

Eugênio Cunha é professor e jornalista

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