Tráfico tem até 'tabela da extorsão' na Maré

Quadrilha cobra taxa semanal de camelôs, feirantes e lojistas

Por raphael.perucci

Rio - Os traficantes do Complexo da Maré cheios de medo da pacificação das comunidades, o que vai acontecer a qualquer momento, apesar de a Secretaria de Segurança dizer que não pode, por questões estratégicas, adiantar o cronograma de ocupações.

Traficante é procurado pela políciaDivulgação


A iminente chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) ao conjunto de favelas da Zona Norte que fica às margens de duas das principais vias expressas do Rio, a Linha Vermelha e a Avenida Brasil, levou a quadrilha que comanda as bocas de fumo na Nova Holanda e no Parque União a roubar dos trabalhadores para fazer uma ‘poupança’, que financiaria a vida boa dos bandidões quando a venda de drogas for sufocada. Os criminosos exigem até R$ 300 por semana dos comerciantes para que as lojas possam funcionar.

Inquérito instaurado na 21ª DP (Bonsucesso) investiga a ‘tabela da extorsão’ imposta no Parque União e na Nova Holanda pelo chefão do tráfico Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, do Comando Vermelho (CV). “O objetivo do Alvarenga é fazer uma fábrica de dinheiro antes da instalação das UPPs naquelas comunidades”, diz o delegado José Pedro Costa Silva, titular da 21ª DP.

O inquérito de número 04715/2013, da delegacia de Bonsucesso, foi aberto após o recebimento de informações do Disque-Denúncia (2253-1177) e de um registro de ocorrência feito por uma comerciante no último dia 21. A mulher apontou o bando de Alvarenga como responsável pelas extorsões — ela citou, inclusive, parentes do traficante como os responsáveis por cobrar a taxa.

Segundo informações dos moradores, a cobrança de taxa aos comerciantes da Nova Holanda e do Parque União começou há menos de dois meses. A ‘tabela da extorsão’ semanal seria a seguinte: R$ 10 dos camelôs; R$ 20 das barracas das feiras livres; e de R$ 20 a R$ 300 dos comerciantes, dependendo do tamanho das lojas.

Cobrança de até R$ 15 mil

Segundo o delegado José Pedro Costa Silva, há relatos de que já houve a cobrança de taxa de até R$ 15 mil de grandes estabelecimentos. De acordo com o policial, o objetivo da quadrilha de Alvarenga é, com a extorsão aos comerciantes, juntar dinheiro para financiar a fuga dos principais chefões do Comando Vermelho antes da chegada da UPP. Mas também existem denúncias de que os traficantes já teriam avisado que os integrantes do bando que continuarem na Nova Holanda e no Parque União mesmo depois da pacificação vão manter a cobrança da taxa aos camelôs, feirantes e lojistas.

Acusado de esquartejar DJ

Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, de 33 anos, também é chamado na localidade Ratolândia, na Nova Holanda, onde costuma ficar, de Índio ou RG. O chefão do Comando Vermelho (CV) é acusado de matar o DJ Raphael Rodrigues Paixão, o Chorão, em novembro do ano passado. A vítima teve o corpo esquartejado. A execução ocorreu na frente de moradores.
O chefão da Nova Holanda e do Parque União tem mandados de prisão por tráfico, associação ao tráfico e homicídio. O Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 1 mil por informações que levem à prisão de Alvarenga.

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