Por bferreira
Publicado 02/06/2013 01:34 | Atualizado 02/06/2013 03:34

Rio - Ele pode não ser conhecido por todos, mas sua arte está impregnada no inconsciente coletivo dos cariocas. Isso porque muitas ruas da cidade são decoradas com os desenhos de Tomaz Viana, o Toz. Longe de ter um trabalho marginalizado, como era antigamente, o grafiteiro expõe em museus, vende quadros a R$ 40 mil e está essa semana em Genebra, na Suíça, para presentear a ONU com uma tela sua. Mas não perde nunca o gosto de rabiscar por aí.

Tomaz VianaJoão Laet / Agência O Dia

O maior mural de grafite da cidade é obra de Toz. Tem 30 metros e fica na Rua Sacadura Cabral, na lateral da empresa B2W. Também é impossível não notar seus paredões pintados na Lapa, próximo ao Circo Voador, na Sociedade Hípica Brasileira, no Jardim Botânico, e nas ruínas do Complexo Penitenciário Frei Caneca, no Centro, onde encantou a todos com sua boneca de traços orientais na janela.

O baiano de 37 anos veio para o Rio ainda adolescente, inventou uma família de personagens misturando referências quase universais do grafite — a animação e os mangás japoneses — com seu mundo particular. Em 1999, juntou-se a outros artistas gráficos para criar o Fleshbeckcrew, um dos mais conhecidos coletivos de arte urbana do Rio e do Brasil. No mês passado, lançou um livro com sua obra, que está à venda em livrarias, como a da Travessa, a R$ 100.

“Quando comecei, não tinha muita gente vivendo disso, não imaginava que conseguiria o que tenho hoje. Houve uma evolução, mas ainda tem muita resistência”, pondera Toz. O artista conta que já foi preso, respondeu a processos e teve que “desenrolar muito com policiais” para poder continuar trabalhando. “Lá fora o grafiteiro tem mais respeito”, diz.

Tomaz sempre teve o hábito de registrar com fotos e vídeos suas obras, que ficam à mercê do tempo e de vândalos. “Muitas regiões do Rio não têm ainda grafite. Isso afasta a possibilidade de surgirem talentos. O cara que sai com um spray já é perseguido, taxado de pichador”, reclama. Nessa terça-feira, circulou na Internet foto de uma equipe de limpeza da Prefeitura do Rio apagando com produtos químicos o grafite que coloria uma das colunas do Viaduto Santiago Dantas, em Botafogo. Essa cena não é rara, muito embora um mural grafitado possa custar até R$ 200 mil.

1. COMO POSSO CONHECER MAIS GRAFITES?
Há um perfil no Facebook, chamado Arte de Rua Rio, para o qual os internautas mandam fotos de grafites que admiram pela cidade diariamente.

2. E DO TOZ?
Basta ir até a galeria Movimento, onde ele e outros artistas vendem suas telas e fazem exposições. Fica na Avenida Atlântica 4240, loja 211, Copacabana.

3. GERALMENTE A TELA É FEITA COM QUÊ?
Toz usa sprays importados de Magé e tinta-óleo. As telas dele costumam ter um tamanho médio de 1,80 por 1,50 metro.

4. QUE OUTROS GRAFITEIROS FAMOSOS EXISTEM NO RIO?
Muitos, como os Gêmeos, Binho, Speto, Herbert Baglione, Flip, True, entre tantos outros de renome.

5. TOZ FAZ ALGO ALÉM DE TELAS?
Sim, já desenvolveu linha de roupas, apresentada no Fashion Rio por três edições, além de projetos especiais como a capa do CD do Marcelo D2.

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