Por bferreira

Rio - Marcos históricos do país e homenagens a brasileiros ilustres imortalizados em monumentos, bustos e estátuas espalhados pelo Rio encontram-se entregues à ação do tempo, de vândalos e ladrões. O prejuízo causado pela falta de manutenção do patrimônio público danificado não é apenas financeiro. Moradores de bairros tradicionais queixam-se do estado de conservação das obras que, além de contar parte da história, constituem a identidade visual e atraem visitantes para os locais.

Espalhados pelo Rio%2C monumentos%2C bustos e estátuas encontram-se entregues à ação do tempoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Morador de Vila Isabel há 15 anos, o arquiteto Rafael Motta lamenta pelo descaso com a estátua do compositor Noel Rosa, símbolo maior do bairro, na Zona Norte. “Muitas pessoas vêm até aqui pela ligação com o samba e fazem questão de tirar fotos sentados ao lado de Noel. Ao se depararem com a situação atual, têm uma imagem negativa. Já pensou em ir até Nova Iorque para conhecer a Estátua da Liberdade e, chegando lá, constatar que a tocha foi roubada?”, questionou, referindo-se ao copo e ao banco de bronze saqueados em janeiro.

O roubo do metal, do qual é feita a maioria dos monumentos, é citado como principal motivo para a depredação. Em ferros-velhos que o compram clandestinamente, o preço do quilo chega a R$ 12. “Os saques acontecem de madrugada, quando o movimento é baixo e não existe policiamento. Como carioca, fico envergonhado. O pior é que a reforma é cara e o dinheiro sai dos nossos bolsos”, desabafou o artesão Josemir Santana, que garante já ter visto vários atos de vandalismo dirigidos ao Monumento a General Osório em 20 anos de trabalho na Praça 15. Curiosamente, a imponente estátua é uma das poucas obras monitoradas por câmeras de segurança, que não foram capazes de coibir a última ação criminosa, em abril, quando partes do gradil foram roubadas.

DEGRADAÇÃO

O vandalismo gratuito também é responsável pela degradação do patrimônio público. Moradores e frequentadores da Lapa, um dos principais redutos turísticos da cidade, já estão acostumados com a vergonha causada pela má conservação dos Arcos, constantemente sujos pela ação do tempo e por pichações de gangues que deixam marcas nas pilastras, antes pintadas de branco.

A secretaria municipal de Conservação e Serviços informa, através de sua assessoria, já ter iniciado o orçamento para reposição das peças furtadas nos monumentos em homenagem a Noel Rosa e General Osório. A demora na restauração e a falta de previsão para a conclusão do reparo é causada, segundo o órgão, pela necessidade de um estudo detalhado e individual de cada monumento a partir de fotos que pertencem ao arquivo da secretaria. A confecção de um molde específico para cada parte danificada ou roubada também é necessária.

Uma vistoria será realizada nos Arcos da Lapa, até o fim do mês, para mapear os trechos que apresentam pichações, e iniciar o serviço específico de limpeza. A última pintura dos Arcos foi em 2011, com tinta à base de cal. O intervalo mínimo para que um novo procedimento deste tipo seja feito é de três anos, pois o excesso de camadas de pintura provoca a escamação do monumento.

Monitoramento será feito por câmeras até outubro

A Prefeitura do Rio promete instalar 30 câmeras de vigilância em monumentos da cidade até outubro. Com isso, será possível identificar quem destrói o patrimônio público. A Murada da Glória, uma das obras de arte mais extensas da cidade, deve ser o primeiro bem a contar com a tecnologia.

A estátua de Carlos Drummond de Andrade (Copacabana) e os Monumentos a Osório (Praça XV) e a Zumbi dos Palmares (Avenida Presidente Vargas) já são vigiados por câmeras.

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