Por bferreira

Rio - Dois anos após ficar parcialmente destruída num incêndio, a capela de São Pedro de Alcântara, no campus da UFRJ na Praia Vermelha, finalmente será restaurada. O projeto da obra ainda está sendo elaborado, mas já trouxe surpresas. O fogo que consumiu o prédio revelou detalhes da arquitetura e da pintura do imóvel até então desconhecidos pelos historiadores, arqueólogos e engenheiros, envolvidos na reconstrução.

Restauradores na Capela São Pedro de Alcântara%2C atingida por incêndio em 2011%3A Casa da Moeda doou madeira nobre para recuperação do localMaíra Coelho / Agência O Dia

Um detalhe que veio à tona é o sistema de construção das portas, que mostra que foram usadas vigas com uma engenharia capaz de distribuir o peso das paredes sobre elas. Com o incêndio, descobriu-se também a existência de imitações de mármore e pinturas artísticas, originais do edifício, na parede. “São pinturas difíceis de serem encontradas e que ficaram com a cor alterada devido às altas temperaturas. Vamos tentar recuperar, mas sabemos o quanto será complicado este trabalho”, afirmou o diretor da Divisão de Projetos de Imóveis Tombados da UFRJ, Paulo Belinha.

Segundo ele, a imagem de 1,6 metro de mármore carrara de São Pedro de Alcântara, que ficava no altar, explodiu no incêndio, mas não deve ser restaurada por causa do alto custo. “O trabalho para refazê-la custaria uma fortuna, e o resultado é incerto”, afirmou. A capela integra o Palácio Universitário, que é tombado e também vai receber reparos.

Para obra, a UFRJ recebeu da Casa da Moeda, no final de 2012, a doação de uma tonelada de madeira do tipo maçaranduba, a mesma usada na época da construção original. Somente o projeto para saber como será o trabalho de restauração deve custar R$ 2,3 milhões e vai durar um ano. 

Construção é do século 19

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a capela foi construída na metade do século 19. Na ocasião, também era feita a primeira etapa do atual Palácio Universitário, onde funcionou o Hospício Imperial, unidade pioneira no tratamento de doenças mentais na América Latina. Depois, o local virou o Hospital dos Alienados e Hospício Pedro II, inaugurado em 1852.

Estilo vai ser preservado

A UFRJ informa que ainda não tem como adiantar os detalhes da restauração, porque, primeiramente, vai consultar o Iphan sobre o assunto. Mas a instituição explicou que todas as características da arquitetura neoclássica do imóvel serão mantidas. O material preservado no incêndio, entre eles uma imagem de Santa Rita e outra de Jesus Cristo, foi catalogado e armazenado.

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