Por bferreira

Rio - Tradicional na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes, o serviço de transporte oferecido pelos grandes condomínios começa a ser levado para outras áreas da cidade. Entre as vantagens, o acesso a veículos com poltronas reclináveis, ar-condicionado e intervalo de saída de 10 minutos na hora do rush. Segundo a secretaria municipal de Transportes (SMTR), a frota de fretamento já chega a 4 mil unidades, o que equivale a 45% do número de ônibus urbanos da cidade, que é de 8,7 mil.

Veículo exclusivo para moradores de condomínio da Barra da Tijuca pega passageiros%2C parando em fila dupla de rua no centro da cidadePaulo Alvadia / Agência O Dia

Vice-presidente do Secovi (sindicato da Habitação), Leonardo Schneider responde pela administração de 2,7 mil condomínios no Rio. Ele afirma que todos os grandes conjuntos de edifícios da Barra e do Recreio já oferecem condução. “Isso começa a ser tendência também em áreas como Jacarepaguá. A demanda está aumentando muito”, diz.

Para a secretaria de Transportes, a iniciativa é positiva porque cada ônibus equivale a cerca de 20 carros a menos nas ruas. E, para estar regularizado, o motorista precisa de um contrato de fretamento (entre fornecedor e contratante). Pela regra, os veículos só podem ter dois pontos: um de origem e outro de destino. Mas, no caso específico dos condomínios, é dada permissão para desembarque em mais pontos na área de destino. O órgão explicou ainda que, além dos edifícios, a categoria “fretamento” permite que os veículos prestem serviços também para hotéis, empresas etc.

Para Pedro Torres, do ITDP (ONG especializada em mobilidade urbana), os ônibus de condomínios são apenas paliativos para falta de planejamento. Ele acredita que os moradores da Barra e do Recreio só se organizaram para resolver a questão do transporte porque a prefeitura não oferece o serviço com regularidade, conforto e segurança esperadas na região.

BRT e BRS podem frear aumento

A superintendente do Novo Leblon (também na Barra), Ana Regina Ribeiro, conta que a demanda do condomínio de 6 mil moradores só vem aumentando. “Esperamos que, com a conclusão do BRT e o BRS, a gente não precise fretar mais ônibus”, afirmou.

O vice-presidente do Secovi, Leonardo Schneider, atesta que o serviço de transporte é diferencial, mas ele só se justifica financeiramente para grandes edifícios.Compradora recente de uma unidade no condomínio Rio 2, a médica Ana Flávia Domingos conta que o transporte foi um fator decisivo. Com 33 ônibus, o Rio 2 tem 12,5 mil usuários. O coordenador de Transporte, Pedro Aleixo, explica que, para o Centro, o morador precisaria fazer baldeações.

Biometria para evitar fraudes

De olho nas vantagens do serviço de transporte dos condomínios, um mercado paralelo já foi criado. Além das carteirinhas falsificadas por não-moradores, alguns proprietários tentam incluir pessoas que não têm direito aos ônibus. Eles vendem ou dão as carteirinhas que sobram. “Estamos apertando o cerco contra as fraudes. Já usamos biometria e começamos a intensificar a fiscalização na hora de conceder as carteirinhas”, contou Pedro Aleixo, coordenador de Transporte do Rio 2.

O custo do serviço de transporte dos edifícios é diluído entre as unidades. O valor vem embutido no preço do condomínio. E, em média, fica em R$ 220 para cada apartamento. Em alguns casos, o proprietário tem direito a quatro passes, mas isso varia.

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