Protesto na Avenida Presidente Vargas termina com mais de 30 detidos

Policiais afirmam que houve vandalismo na manifestação contra o aumento nas passagens de ônibus

Por tamyres.matos

Rio - O protesto contra o aumento das passagens de ônibus no Rio culminou em confronto entre manifestantes e policiais na noite desta segunda-feira. A confusão terminou com 31 pessoas levadas para a 5ª DP (Mem de Sá). Os policiais apreenderam cocos verdes e pedras que teriam sido arremessadas pelos manifestantes contra os PMs e contra ônibus que passavam pela Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio.

De acordo com os policiais, houve uma série de atos de vandalismo. Parte das pessoas que protestavam lançou pedregulhos em direção aos coletivos no terminal Menezes Cortes, espalhou lixo pelas ruas e ateou fogo em uma lixeira. Ainda segundo os PMs, alguns deles atacavam até mesmo com coquetéis molotov. A estação do metrô Uruguaiana chegou a ficar fechada por alguns minutos, mas foi reaberta.

Protesto contra o aumento da tarifa das passagens no Centro do Rio provoca tumulto entre manifestante e a tropa de choqueIngrid Cristina / Agência O Dia

Em contraposição, os manifestantes reclamam de truculência na abordagem policial. "Eu estava em frente ao fórum onde aconteceu a confusão. Eram 300 manifestantes no local, eles protestavam contra o aumento das passagens, uma manifestação legítima. O mesmo número de policiais os atacou com truculência, bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha", afirmou o membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados (OAB) André Barros.

Um dos manifestantes foi ferido nas costas com um cassetete. Ele foi encaminhado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, também no Centro da cidade. Houve um bate-boca entre o advogado Barros e o delegado-adjunto da 5ª DP, Antônio Ferreira Bonfim, por causa da situação dos presos.

"Foram 20 adultos e 10 adolescentes detidos. O drama foi nem saber pra onde estes detidos seriam levados, isto não se via nem na época da Ditadura", criticou André.

Ralph Lichotti, 33 anos, advogado, atendido no Hospital Municipal Souza Aguiar, foi prestar queixa na 5ª DP. Ele ficou com a cabeça enfaixada por, segundo ele, ter levado um golpe de cassete na cabeça por um PM que o teria confundido com um manifestante.

"Estava passando pela Presidente Vargas e senti um golpe forte na cabeça. Na hora, fiquei muito tonto. A polícia é que causou o tumulto pois se deixasse os manifestantes passarem nada disso teria acontecido."

Jovens seguravam cartazes com mensagens de repúdio ao governador Sérgio Cabral e ao prefeito Eduardo PaesIngrid Cristina / Agência O Dia

Das 34 pessoas detidas, apenas um jovem vai ficar preso. O estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Favio Estaner, de 18 anos, está sendo acusado de dano ao patrimônio público por ter quebrado o para-choque da motocicleta de um policial. Para responder ao processo em liberdade, Estaner terá que pagar uma fiança de um salário minímo, segundo o delegado.

Um rapaz teria pichado a parede do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) com a inscrição: "R$ 2,95 não!". A janela de um prédio na Praça XV foi apedrejada, assim como o vidro da Igreja Nossa Senhora do Carmo.

A volta para casa foi complicada e os pontos de vans ficaram lotados de passageiros. A informação que circulava ainda era de que muitos ônibus alteraram seus trajetos para fugir dos pontos críticos do protesto.

Um grupo de 100 manifestantes foi para a frente da delegacia para gritar as palavras de ordem: "não à repressão". Eles prometem um novo protesto com data a ser definida.

De acordo com o Centro de Operações da Prefeitura do Rio já foram liberadas as pistas central e lateral da Presidente Vargas. Agentes da CET-Rio atuam no local e o trânsito é intenso na região.

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