Por cadu.bruno

Rio - Cerca de quatro mil pessoas, envolvendo famílias com crianças e idosos, participaram ontem de nova manifestação na Zona Sul do Rio. O mote desta vez, que contou com funcionários do Ministério Público Estadual, foi pelo fim da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37, que retira do Ministério Público a atribuição de realizar investigações criminais.

Iniciada por volta das 16h no Posto 4, em Copacabana, os manifestantes caminharam de forma ordeira até o Leblon, na esquina da Avenida Delfim Moreira com a Rua Aristides Spínola, onde desde sexta-feira um grupo de jovens está acampado próximo ao prédio onde mora o governador Sérgio Cabral. Para evitar tumultos, a tropa de Choque da PM reforçou a segurança do local.

A passeata começou com cerca de 300 pessoas, mas que logo foi ampliada para 1.500 participantes e já na altura do Posto 6, eram mais de três mil manifestantes. Antes de seguirem em direção à Ipanema, em frente ao Forte de Copacabana, o grupo cantou o Hino Nacional. Nos prédios e hotéis da orla, a população apoiava aplaudindo a passeata e colocando panos brancos e bandeiras do Brasil nas sacadas e janelas.

DRUMMOND CARACTERIZADO

Até mesmo a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade foi caracterizada para a manifestação. A estátua ganhou uma máscara do Anonymous e foi coberta pela Bandeira Brasileira. Nenhum restaurante da Avenida Atlântica ou quiosque da orla paralisou suas atividades. 

“Meu filho está aprendendo a ler e, agora, o que é democracia. Aqui é um manifesto do povo, por isso decidi trazê-lo”, contou Vanderson Frias, que levou o filho Miguel, de 7 anos.

Maicon Freitas, que puxava a passeata com um megafone nas mãos, disse que os manifestantes não são contra a Copa das Confederações, mas para que os políticos olhassem para a população. “O povo está clamando atenção. Eles têm que entender nossas necessidades”, afirmou o manifestou.

Moradora do Posto 5, a aposentada Ivanilda Teixeira de Melo, 74, caminhava ao lado da filha, Helena D’Biasi, 37, e da neta, Maria Luisa, 11. “Em 1968 participei disso e mostrei para milha filha como se lutava por um país melhor. Agora, ela trouxe a minha neta”, disse a aposentada.
“Estou emocionada de estar participando e vendo a alegria das pessoas”, contou a jovem Maria Luisa.

Vigília mantida perto do prédio de Cabral

A passeata na Zona Sul encerrou nas proximidades da casa do governador Sérgio Cabral, no Leblon. À noite, cerca de 300 pessoas se uniram ao grupo que está acampado no local desde sexta-feira. Eles proferiram palavras de ordem contra a corrupção, o “possível superfaturamento das obras do Maracanã” e um “suposto envolvimento do governador com empresários”.

Durante o dia, a presença dos manifestantes na esquina da Avenida Delfim Moreira com a Rua Aristides Spínola chamou a atenção de curiosos e turistas. Entre as atividades, rodas de debates deram voz à quem passava pelo local e queria falar sobre o atual cenário político e social do Estado do Rio. Cada pessoa tinha três minutos para se manifestar.

O ator Vinícius Fragoso, de 20 anos, perdeu o emprego para para se dedicar à causa. Segundo ele, vale o esforço para tentar melhorar o estado e o país. “A ideia é ficar até amanhã (hoje), mas se tivermos gás, continuaremos até quarta-feira, quando vamos à Assembleia Legislativa”, disse Vinicius.

O grupo planeja ir à Câmara do Rio hoje às 10h para pressionar vereadores a abrirem a CPI dos ônibus. Por meio de nota, Sérgio Cabral afirmou que “as pessoas têm o direito de se manifestar, desde que de forma pacífica”.

PM pede paz e adere à passeata

Ainda na altura do Posto 6, uma confusão envolveu manifestantes e um grupo de policiais militares à paisana, que tentaram levantar uma faixa com os dizeres “Pmerj no local”. As pessoas protestaram e tentaram arrancar a faixa dos policiais. PMs, que acompanhavam a passeata à distância, interviram, impedindo agressões. PMs femininas distribuíam panfletos, onde pediam paz aos participantes do evento.

Um outro incidente, também quase atrapalhou a passeata. na altura do Posto 5, um homem foi preso em flagrante ao tentar roubar uma bicicleta de um dos participantes da passeata. A PM conseguiu evitar o assalto e o suspeito foi levado para a 13ª DP (Copacabana), na Central de Flagrantes.

Um guarda municipal foi preso por porte ilegal de arma, durante discussão.

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