Civil: Armas usadas por policiais em operação na Maré serão periciadas

De acordo com o delegado Rivaldo Barbosa, titular da DH, perícia do IML apontou que os nove corpos tinham marcas de tiros e não apresentavam ferimentos por facas

Por cadu.bruno

Rio - Os policiais militares que participaram da operação no Complexo da Maré já foram ouvidos e as armas deles apreendidas e encaminhadas à perícia para confronto balístico. A informação foi divulgada nesta quarta-feira pela Polícia Civil.

De acordo com o delegado Rivaldo Barbosa, titular da Divisão de Homicídios (DH), perícia do Instituto Médico Legal (IML) apontou que todos os nove corpos tinham marcas de tiros e não apresentavam ferimentos por facas.

Policiais envolvidos na operação já foram ouvidosSeverino Silva / Agência O Dia

Moradores da Nova Holanda estão sem luz desde segunda à noite. Segundo a Light, duas equipes estão na favela nesta quarta para recuperar três transformadores atingidos por tiros.

'Excesso não é a lógica da polícia', diz Beltrame

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, disse, na manhã desta quarta-feira, que as denúncias de possíveis excessos cometidos pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) durante a operação na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, precisam ser apuradas. O confronto na comunidade terminou com noves mortos, sendo três moradores, um policial e cinco suspeitos.

Nove pessoas morreram em confronto na Favela Nova HolandaSeverino Silva / Agência O Dia

"Essas coisas precisam ser apuradas. A especulação não faz bem a ninguém. Mas, assim como tem que apurar se houve excesso, tem que apurar quem matou o sargento. O excesso não é a lógica da polícia", afirmou Beltrame, em entrevista à Rádio CBN.

O secretário disse que os policiais continuma nos acessos à comunidade. "A polícia está nas imediações. Vamos continuar a observar para ver se há necessidade ou não de se tormar outra medida", concluiu.

Corpo de morador será enterrado hoje

Eraldo Santos da Silva, de 41 anos, morto durante tiroteio na Maré, será enterrado nesta quarta-feira, às 16h, no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Govermador. O garçom foi um dos três moradores mortos em confronto que deixou outros oito mortos.

Na manhã desta quarta-feira, um blindado segue na frente da comunidade Nova Holanda, no 22ºBPM (Maré). A Força Nacional de Segurança está posicionada nos acessos à comunidade e a PM reforçou o policiamento na região.

Traficantes prometem retaliação na Maré

Inspirados no sucesso das manifestações convocadas pelas redes sociais, mas sem o mesmo intuito positivo, homens que seriam traficantes da Nova Holanda comemoravam a morte do sargento do Bope, lamentavam a de suspeitos e organizavam pelo Facebook atos de violência em repúdio à operação do Bope.

Sem medo da exposição, suspeitos exibiam fotos em seus perfis e já se mostravam organizados. Em tom de ameaça, um suposto criminoso que se identifica como ‘Tatajuba Silva’ prometia ataque em massa contra os policiais de madrugada.

Confronto começou depois de arrastão em BonsucessoOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Já o ‘Menor Rai’ postou vídeo de policiais falando sobre a dificuldade de trabalhar em morros. Outros torciam pela recuperação de bandidos feridos.

O professor Carlos Nepomuceno, 53 anos, que é especialista em mídias sociais e leciona há 10 anos no MBA do Coppe/UFRJ, comentou o tema:

“Pedófilos já utilizam essa ferramenta há muito tempo. O projeto de terrorismo do 11 de Setembro, nos Estados Unidos, também foi articulado pela Internet”, relembrou o professor. Ele acredita que o Brasil terá que criar antirredes inteligentes para desarticular essas organizações.

Guerra às vésperas de ocupação

Às vésperas de uma ocupação definitiva pelas forças de segurança na Maré, a guerra entre policiais e traficantes nesta terça naquele conjunto de favelas deixou rastro de nove mortos, protestos e revolta de moradores ilhados pela violência.

Os confrontos mais intensos foram travados a partir da noite de segunda-feira, quando policiais dos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope) tentaram reprimir arrastão promovido por bandidos da Nova Holanda.

A morte de um sargento da tropa de elite desencadeou megaoperação que cercou a Maré com 400 agentes de quatro unidades por tempo indeterminado.

Entre os mortos, ao menos três moradores da comunidade: José Everton Silva de Oliveira, 21, o garçom Eraldo Santos da Silva, além de adolescente de 16 anos. O tiroteio durou cinco horas e podia ser ouvido da Avenida Brasil, onde muitos moradores permaneceram durante a madrugada de ontem, sem conseguir chegar em suas casas.


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