'Botaram uma arma na mão dele para incriminar', diz tia de morto na Maré

Menor foi um dos moradores do Complexo da Maré baleado durante tiroteio na comunidade Nova Holanda

Por bianca.lobianco

Rio - A tia do menor de 16 anos, morto durante operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Complexo da Maré, Ana Valéria Silva, negou o envolvimento da vítima com o tráfico de drogas. Ela fazia o reconhecimento do corpo de seu sobrinho no Instituto Médico Legal (IML).

Segundo ela, o menor trabalhava como engraxate e estava passando pela comunidade Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, quando foi atingido por um disparo de um PM.

"Depois de morto botaram uma arma na mão dele para incriminar. Nem antecedentes criminais esse menino tinha", declarou.

Manifestação de moradores da comunidade da Maré em frente à Secretária de SegurançaCarlos Moraes / Agência O Dia

O corpo do menor foi enterrado no Cemitério do Cacuia, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, na tarde desta quarta-feira. Amigos e familiares não quiseram falar com a imprensa.

O corpo de outro morador do Complexo, Eraldo Santos da Silva, de 41 anos também foi enterrado no Cemitério do Cacuia.  Ele morreu baleado na cabeça durante confronto entre PMs e traficantes no local, na última segunda-feira.

Durante o cortejo, a cunhada da vítima disse que o homem, que era garçom, morreu no bar onde trabalhava, no Parque União. "Estávamos dormindo e escutamos barulho de tiros, só tivemos conhecimento da morte do Eraldo quase meia hora depois", relatou. 

A Polícia Civil admitiu, nesta quarta-feira, que três, dos nove mortos durante confronto na Maré, eram moradores inocentes.

Armas usadas por policias em operação na Maré serão periciadas, diz Civil

Os policiais militares que participaram da operação no Complexo da Maré já foram ouvidos e as armas deles apreendidas e encaminhadas à perícia para confronto balístico. A informação foi divulgada nesta quarta-feira pela Polícia Civil.

De acordo com o delegado Rivaldo Barbosa, titular da Divisão de Homicídios (DH), perícia do Instituto Médico Legal (IML) apontou que todos os nove corpos tinham marcas de tiros e não apresentavam ferimentos por facas.



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